terça-feira, 7 de julho de 2009

O Futuro do Disco




Fazia tempo que não postava, então achei melhor tirar poeira aqui do local antes que fosse abandonado (num dia triste, por conta do memorial de Michael Jackson). Problemas no reino das gravações, mas sinto ainda que vencerei.
Nesses dias de intervalo, retornei ao Kalimba Studio (5 de junho) para gravar duas bases acústicas, em um período de 3 horas, além de discutir o futuro do meu humilde disco. (Sim eu ainda chamo música por esse nome).




Muita coisa aconteceu, e meus amigos que me ajudam com as gravações também enfrentaram problemas. Mas já colocamos um fim no dilema. Três músicas sem contrabaixo - "Heavier Than The Stars", "The Night Gwen S. Died" e "Like The Raindrops That Are Falling" serão finalizadas - quer dizer, refeitas - esta semana (Max Mismetti). Duas que faltam as guitarras ("FAB" e "The Passage"), serão finalizadas dia 12 de julho, com Marcelo Severo no apoio. Duas novas serão gravadas, com violão e percussão ("We're Running Out Of Time"), tocados por mim. A última é uma nova "In Between Day and Night" será gravada de forma completa, mas acho que vai ficar para o fim.
O próximo passo no Kalimba deve ser 17 de julho, com os teclados. Finalizado tudo, ficará a batera e os vocais na etapa final. Espero mixar tudo em agosto.

Tenho uma novidade na parte artistica do álbum. A arte da capa do CD ficará com Marina Alves, que é uma excelente profissional, embora esteja se formando agora. Ela fez um esboço do encarte, eu adorei. Baseada em "Like The Raindrops That Are Falling" (vistas aqui neste post).

Até mais

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Estado interior - postagem


Como já mencionei aqui, tinha um blog chamado "O Estado Interior" que eu postava algumas letras, prosas e poemas. Aqui vai mais um.




A COR DO GELO


Eu acho que aprendi qual é a cor do gelo
Gelo na alma quente solta fumaça
Mas o fogo não se apaga
Ele arde para manter vivo alguma coisa

Desculpe, mas ela não pode ser dita

A cor do gelo brilha, mas o brilho é fosco
Afinal, não importa o que se faça para derreter
A pedra mesmo em água fica lá dentro
Dentro do corpo...ao menos transpira
E o suor sagrado acaba sendo alimento
Para alguém em algum lugar

O que construí posso quebrar

A cor do gelo, incrível, ela gela
Gelo eterno polar ao norte
Ele fica ao lado dela
Ela que nunca foi minha

A pedra se esvaí com o tempo
E assim ela vai ficar
Ao lado da chuva vai para o mar
No vai e vem

Vai tomar outra forma
Vai ser bebida
Expelida

E de uma forma, para sempre ela viverá

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Diário do estúdio - parte 3

It's been awhile...

Próximos passos das gravações vão acontecer dia 16/5 e 6/6, quando já vou ter completado as baterias e guitarras. Ai entramos na parte dos teclados, vocais finais e a mixagem. Parece muita coisa. E é. Mas a paciência é a melhor coisa nesse momento.
Enquanto isso eu decidi trocar uma das músicas. Vou incluir "East Berlin 1989". Estamos exatamente no aniversário de 20 anos da queda do muro. Eu repensei e achei melhor inclui-la. Faltava uma música em 3/4...so this is it...
Eu tenho escrito bastante também. Algumas faixas novas são "Three Kisses", On April Twelfth, "Mend The Broken Faith", "Waiting For The Lightning To Strike" etc. Sempre é bom criar para cortar a ansiedade...

****
inspirational break

****
IN SPIRIT

I try to feel
in the maple leaf
what my hands can't touch

I just don't look back
...I'm not kissing you goodbye

By that 3/4 song
I dance alone
A toast with wine

I want to see your mind...

stripped

You are here

In spirit

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Diário do estúdio - parte 2





Enquanto estou sem as fotos das gravações, fique com uma de Abbey Road : )



Demorei para fazer uma atualização para aguardar as fases da gravação do meu álbum, que anda bem, obrigado. Recapitulando: no dia 6 de fevereiro foi a primeira entrada no estúdio, onde fizemos voz guia e base acústica de três faixas. Em ordem: “Heavier Than The Stars”, “The Night Gwen Died” e “Like The Raindrops That Are Falling” (essas duas, as favoritas da minha mulher, Cristiane). Em março, no dia 6 também, o André Fernandes me ajudou na missão de fazer base acústica para mais 7 composições, que revelo aqui: “FAB”, “A Sun Halo” “The Passage Of Time”, “Fake Fruits”, “Unkind”, “I Should Have Stopped The Clock” e “A Dream In Low Gravity”. A maratona terminou com as respectivas linhas de contrabaixo em todas as faixas, mais as três iniciadas no mês anterior.. Apesar de minha ansiedade, não deu para colocar o vocal guia nas canções naquela noite, e deixamos para domingo, dia 14 de março. Foi difícil manter a qualidade nos vocais, mas deu certo. Missão cumprida. Algumas edições na voz e a fase inicial do trabalho, pode se dizer, ficou completa.

Estúdio novo

Para a parte dois do trabalho, não posso deixar de agradecer a boa vontade de um grande amigo, Max Mismetti, que inaugurou seu estúdio particular e de cara me ajudou com os solos e as bases de guitarra elétrica. A sessões começaram antes mesmo do local ficar pronto, com bases iniciais de “A Dream In Low Gravity” e “I Should Have Stopped The Clock” (favoritas dele, deu para perceber) no dia 20 de março. Me agradaram bastante - principalmente “Gravity”. Tudo ficou melhor ainda no dia 4 de abril, quando pudemos trocar idéias com os arranjos no estúdio e ele caprichou para valer, com destaque para o slide em “The Night Gwen Died” e todo o trabalho em “A Dream In Low Gravity”, que tem até introdução com guitarra em reverso (backwards). Naquele dia fiz minha estréia na guitarra elétrica, com a base de “Unkind”. Ela terá de ser consertada ainda, mas ficou o esboço. Gostei muito de tocar. Naquela tarde de sábado, faltaram “The Passage Of Time”, “Fake Fruits” e “FAB”, além do violão dobrado em “Like The Raindrops That Are Falling” que serão feitos em breve. (valeu Max).

Teclados etc

A parte dos teclados começaria ontem, graças também ao velho amigo Mauricio Camargo de Britto, músico de primeira, que se propôs a tocar no estúdio em breve. Fizemos uns testes ontem, e ele detectou alguns problemas no baixo de “Unkind”. Também percebemos um acorde em “The Passage Of Time” e “A Dream In Low Gravity”. E isso foi de grande validade... já valeu o tempo investido ontem. Aliás, repito o agradecimento ao Maurício por suas dicas.
Recebi os mixes do Cris com as músicas que faltavam, e conclui que terei de refazer 3 linhas de contrabaixo, mais "Unkind" - e desta vez eu mesmo vou tocar. Vão acontecer em maio, com a gravação da bateria. Vamos dividir a sessão na metade desta vez.

xo

Claudio

terça-feira, 10 de março de 2009

Uma canção sobre a Cortina de Ferro




Enquanto as músicas que estarão no meu álbum não ficam prontas (mais sobre a sessão do dia 6 de março na próxima segunda-feira, quando gravarei os vocais em 7 faixas), decidi postar um vídeo com uma canção que NÃO ESTARÁ no CD. Gravei na minha câmera (que não tem muita qualidade), mas achei legal registrar para mostrar.


A música se chama "East Berlin 1989", e fala sobre um ex-soldado da Alemanha Oriental que vaga atrás de um fantasma na época da Cortina de Ferro. A letra foi inspirada por um papo com uma colega minha chamada Nathalia Ribeiro. A coisa foi a seguinte. Ela vive no Canadá há anos, e eu perguntei se ela tinha feito jornalismo. Ai ela disse: não, fiz pós aqui sobre a Guerra Fria. Falei: uau! Matéria muito bacana! E sinal de que a gente está ficando meio, er, velho.

A qualidade do vídeo não é das melhores, nem o som, mas dá para ter uma idéia. Estou pensando em grava-la no estúdio, mas isto é para depois.


Abraço

Vídeo aqui:

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um sonho em baixa gravidade

Mais ou menos a visão do produtor do control room do estúdio


Sonhos... É bom sonhar. Melhor ainda é poder comentar sobre eles quando acontecem. Ao menos, parcialmente, já que falta muita estrada ainda! Falo sobre a minha primeira sessão de gravações no estúdio Kalimba, na zona norte de São Paulo. Eu tenho feito músicas desde os anos 90, mas nunca tinha pensado em gravar profissionalmente. Finalmente chegou o dia. Ou melhor: a noite. Ou melhor ainda: a madrugada. Foram mais de seis horas de trabalho. Primeiro, para marcar os tempos de cada faixa com precisão, usando o metrônomo eletrônico. Uma tarefa nada simples, porque quando se sai ligeiramente do andamento, tem de voltar a gravação e recomeçar de ontem parou. Levamos mais ou menos duas horas para 11 faixas. Eu e meu produtor, Cris Rodrigues (site www.crisrodrigues.com.br), nos alternando no violão. Incrível o Cris... passei os acordes e a levada das canções e ele aprendeu rápido e deu dicas excelentes para esta primeira etapa.

A Ceia

Com os metrônomos marcados e bases gravadas para 2 músicas, demos uma parada lá pelas 11h da noite para o rango... uma pizza paulistana para encher o tanque e continuar o trabalho. O Cris resolveu inovar e fazer um coquetel mix de cerveja com Coca-Cola Zero. Ele ofereceu pra eu experimentar, mas...eu passei desta vez. Afinal, eu tinha alguns vocais para gravar e não estava a fim de me transformar em uma bomba relógio ambulante (...).

Overdubs dos vocais

A parte mais divertida da sessão foi colocar os vocais e brincar com os efeitos. Em uma das músicas, o Cris tirou um dos acordes, dobrou minha voz e pediu para eu fazer um vocal sinistro e seco para terminar de forma diferente. Para esta música, eu resolvi fazer uma voz mais soturna, e me veio à cabeça “The Fly” do U2, então a inspiração foi das boas. Vou manter o suspense sobre os nomes de cada faixa para quando estiver pronto ser mais bacana, mas só como pista, este meu primeiro filhote fala da morte de uma namorada de um superser dos quadrinhos...



The Fly - clipe bacana do U2


Chuva em janeiro de 2007 - encontrei na internet uma da época em que fiz uma das músicas

A segunda (na verdade, a primeira que gravamos), é um rock mais direto, rápido, que eu compus em 2007 e terminei este ano. Deixamos dois compassos sem melodia para fazer o instrumental, e acho que vou fazer dois solos: o primeiro, com som de órgão (que será “mexido” para dar outra sonoridade). O final da letra fala sobre uma explosão, e como termina bem seca, vou jogar um outro efeito ai para simular o estouro ;-D. Por fim, uma balada que soa meio gospel, meio country, que vou adicionar na última fase o piano elétrico. Ela fala de chuva, então quero deixar nela uma sensação de umidade natural. Não entendeu? Mas quando estiver pronta, você vai.

Próxima fase

Nem dá para descrever a sensação de ver o piloto das músicas prontas, mas acho que é possível ter uma idéia do feeling. Na próxima etapa, que deve ser depois do Carnaval, vamos fazer mais 8 bases, desta vez com mais um guitarrista. Será preciso, para agilizar o processo, já que se trabalha por hora. No mesmo dia, o projeto é colocar bateria e contrabaixo. Devo tocar contrabaixo em algumas faixas, e a bateria ficará por conta do Cris, que é um multinstrumentista muito bom.


A idéia é reservar os próximos dias para overdubs vocais (vou substituir os originais das bases) e adicionar mais instrumentos, como teclados e guitarra. Na parte final, mixagem. Vai ser divertido. No final da madrugada, meu filho, Lucas e minha mulher, Cristiane apareceram lá e tiraram fotos de algumas passagens vocais. Prometo postar aqui quando o Cris enviar o material para mim (ele emprestou a máquina, então está com ele ainda).

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Crepúsculo e tempestade

Orange Twilight




Setting the storm

Para quebrar a linha do blog, algumas fotos feitas do apartamento no início de janeiro (zona norte de São Paulo)












quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O Estado Interior - nova entrada


NO HORIZONTE

Por você e pelo ciclo das coisas
Eu falaria tudo outra vez
E ainda...sem meus óculos escuros

Eu passaria o tempo
Vendo o nascer das estrelas
Na face de um desenho

Eu me lembro
Quando descobri que não existia mesmo qualquer tempo

O tempo não importa.

Nem a distância entre os nossos horizontes.


Eu <------------------------------------------------------> Você


Entre nós


Esse espaço todo é uma abertura para o sol ou para a lua

A luz que ainda vai entrar

Não importa quando

Nem se for o fim que chegar antes do começo

É que nunca se viveu tanto em tão pouco

E por causa disso

Nunca irá morrer...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Feliz Música Nova


Capa do 1º EP da banda Travis, antes conhecida como "Glass Onion"

Havia algumas semanas que eu não retomava o "815", mas a desculpa é boa e das mais usadas no final do ano: festas, a famosa "correria", e claro: idéias a serem recicladas.

Na parte criativa, algumas músicas foram geradas nesse meio tempo: "On", "Off", "The Night Gwen Died", "Seattle" (só a letra por enquanto), "Like The Weather", "Glowing Days" e "Amber Baby". Outros títulos batem à porta, e as idéias por trás delas são boas. Vamos ver: "Running Backwards", "Volunteers, Dragged", "FYI"... são muitos. A idéia é gravar o mais breve possível e colocar as primeiras em um site no myspace. Vai ser divertido...

Embora eu já tenha selecionado as 11 ou 12 que devem entrar no hospital para o parto, estudo substituir ao menos três para algumas das supracitadas. Principalmente "On" e "Off" que iniciariam e fechariam a bolacha (leiam CD, disco etc). O tempo total do disco não deve passar de 36 minutos. Tudo rápido e objetivo :-). Outra novidade é que a bateria ficará por conta de um dos maiores nomes do gênero aqui no Brasil: Alaor Neves. Ele fez questão de tocar em todas as faixas. Grande amigo. Confira a escola de música dele: www.comonline.com.br .

Na minha próxima passagem eu queria falar sobre as primeiras gravações de grupos interessantes como R.E.M, Paul McCartney (solo), Coldplay, Travis, Radiohead, U2 e outros. Legal falar sobre os dias de estréia e traçar um paralelo com o momento atual. Estou fazendo anotações...

xo

sábado, 13 de dezembro de 2008

Mallu Magalhães: It's only Folk 'n' Roll and I like it





E o tema de hoje é uma artista brasileira que canta em inglês e compõe de forma incrível. Trata maravilhosamente bem os fãs e ainda respeita os jornalistas como poucos. Ela acabou de lançar seu primeiro álbum, tem 16 anos, mas a idade é o que menos importa quando o trabalho é interessante e competente. Vale uma resenha a mais aqui.


Sei que por Mallu Magalhães estar bastante na mídia, se transforma em um caso de paixão ou aversão. Sua pouca idade faz com que as pessoas sintam-se acanhadas em admitir que curtam sua música. De qualquer forma, o espírito meio que libertário e descontraído do comportamento da artista não faça com que isso pese na reta final. O jornalista Lúcio Ribeiro foi um dos primeiros a notar que ela iria vingar e ele estava certo. Vamos falar de música.



"MALLU MAGALHÃES"




Me causa um pouco de embaraço ler e ouvir a respeito de rótulos impostos a artistas, as fofocas sobre relacionamentos e outros itens que giram em torno do universo de quem canta e atua. De qualquer forma, faz parte da fama. E não é diferente no caso de Mallu Magalhães. Já li 4 mil coisas semelhantes sobre ela, mas pouco, muito pouco a respeito dos mistérios de uma garota de 16 anos que se comporta no palco como se tivesse experiência de anos e anos na estrada. Talvez essa estrada seja a mítica Highway 61 onde passaram lendas como Robert Johnson... a mesma estrada cantada de forma ardida e irreverente por Bob Dylan. Alguns dizem que ela canta um inglês falível. Mas até aí, lordy, até mesmo quem nasceu num lugar onde se fala o idioma existem erros inimagináveis em letras e tudo... O fato é que isso não importa tanto quanto o contexto geral.


No momento, Mallu é a única artista nacional que inova. Ela se baseia em clássicos como Johnny Cash, Bob Dylan, cita Beatles (e junta músicas do grupo em seus shows) e outros pesos pesados. Mas fica por aí. O som acústico misturado ao elétrico, a urgência de seus vocais e o estilo das composições assombram. Ela faz questão de tocar ao vivo sem nenhum recurso de playback, o que impressiona, já que muitos nomes internacionais só cantam no karaokê e ainda, assim, faturam inimaginavelmente mais. Dinheiro? Mallu quer saber de música. Por isso dá e dará certo. Sem falar que ela tem uma excelente banda, maravilhosa equipe de produção e assessoria e um planejamento que certamente irá garantir que ela não seja mais uma cantora de um disco só. Ou apenas um CD. Sei lá qual é o melhor (pior) termo.


Mas vamos falar um pouco do álbum...



Difícil escolher canções favoritas de seu debut homônimo, mas é preciso citar aqui as indispensáveis: "You Know You've Got", "Angelina, Angelina", "Get To Denmark", "Town Of Rock 'n' Roll", "Her Day Will Come", "O Preço da Flor", "Vanguart" e "It Takes To The Tango". Excluo dessa lista top "Tchubaruba" e "J1" porque são os singles. E os singles geralmente puxam o disco, são boas músicas. Mas não são as melhores. São apenas os líderes. E são importantes por isso.


Gosto sempre de levantar a bola de "Angelina, Angelina", porque é uma coisa visceral. É muito difícil compor um rock. Ainda mais algo bem original e diferente. Mallu me contou em entrevista que a letra fala de uma de suas mochilas favoritas. Ela compõe sobre termos abstratos como se fossem para humanos, e isso é muito bacana.




Foto: João Wainer




"Get To Denmark" é uma balada com harmonia tocante. Ela cita algo que não é tão comum para garotos. Ao menos do século 21: "os cavaleiros que dizem ni". É um termo usado no filme "Monty Python e o Cálice Sagrado". Uma referência sutil e corajosa, porque por Mallu, não tendo nem 18 anos, se refere a uma cultura distante de sua época. Na letra de "Get To Denmark" caiu bem demais.


"You Know You've Got" impressiona pelo seu arranjo diferente, esparso... cortesia de Mário Caldato, o produtor. Ela tem algumas variações de andamento que empolgam e Mallu e sua banda se esforçam bastante para reproduzir ao vivo como no álbum. Mas no CD é bom demais ouvir o som dos instrumentos mixados de uma forma diferente do que se ouve hoje em dia na maioria dos trabalhos.




A CIDADE DO ROCK






"Town Of Rock 'n' Roll" é uma das mais divertidas. Ela nos apresenta ao termo "Folk 'n' Roll", um dos favoritos da compositora. Mistura uma linguagem mais sátira e abstrata quando fala de um lugar que seria a capital do rock. E não, não é Jacarepaguá... Talvez todás as pessoas que curtam rock e seus derivados tenham pensado nisso. Mas falar sobre o termo é difícil sem exagerar e forçar a barra. Em "Town Of Rock 'n' Roll" dá para gostar das terminologias roqueiras sem cair no exagero.



"Her Day Will Come" é um delicioso jazz-rock que fala sobre a própria artista. Aliás, várias letras na terceira pessoa são comentários sobre sua própria vida, e agora que chegam ao ouvido do público ganham peso. Um certo peso, porque ela irá terá (se quiser) de manter o ritmo. Cumprir a profecia. O dia dela irá chegar, e chega aos poucos. Ao vivo, a música foi misturada a "Your Mother Should Know", dos Beatles, e ficou bacana.


Agora, duas faixas compostas em português. "O Preço da Flor" é etérea, contemplativa. Surreal. Um eco hipnótico. A produção e mixagem aqui são incríveis. O som do violão de 12 cordas é o predominante. Os vocais meio fantasmagóricos de Mallu comprovam sua versatilidade. Não existe preocupação com um padrão. O ritmo em valsa deixa a canção ainda mais viajante. Parece um fado do século 21, só que melhor. Ao vivo ficou muito bom, mas no CD é imbatível. Já "Vanguart" - evidentemente uma citação à banda indie nacional - é uma das mais pops. Letra enigmática. Lembra um pouco Mutantes e Pato Fu. A produção aqui dá show novamente. As harmonias e percussão se fundem de uma forma inusitada, perceba no fone de ouvido. Para fechar, o coda tem um piano que lembra um pouco os interlúdios musicais de "Strawberry Fields Forever". Em sua última encarnação ao vivo, ela ganhou um peso sensacional. Funciona, porque eles não tentam reproduzir o som mais concentrado e detalhado do álbum.




"It Takes Two To Tango". Uau. Aqui Mallu incorpora mesmo seu ídolo Bob Dylan, só que na versão MM. Apenas voz e violão, em uma performance dramática. Lembra coisas do álbum "Freewheelin'", o segundo do sr. Robert Zimmerman. Performance vocal diferente de quase tudo no álbum, além de um desempenho fantástico na guitarra acústica. Fecha o CD como se fecha a porta de casa. Tipo: "Agora que cantei quero minha privacidade.


Ela tem direito.





Abraços e até a próxima





P.S: Antes do Natal quero falar de "Electric Arguments" do nosso amigo Paul McCartney. Não apenas um álbum novo, mas um refresco no deserto e uma esperança de mais coisas criativas do gênio.



domingo, 30 de novembro de 2008

Estado Interior...

Deu vontade de relembrar as postagens de "O Estado Interior". Acabei de escrever.




Uma Canção Folk

Peça ao tempo para ele esperar
Não deixe ele ficar solto por aí
Vamos escrever uma carta de amor
Eu e você
E depois atirá-la às chamas
Vamos escrever aquela canção folk
Não ligue para o que for dito, deixe que o mundo se toque
Vamos dormir com a janela aberta para ouvir a cidade e o rock

O concreto e o aço, o cristal e o vinho
Mas isso só depois que você herdar o trono
Deus é nosso vizinho
Agora é a hora

Eu te encontrei
E aqui dentro você vai morar

terça-feira, 18 de novembro de 2008

De volta ao "subterrâneo"




The Mill Studios, Sussex

SEGREDOS DAS MÚSICAS...

Após uma semana mais frenética que a crise financeira global (mudança de horário radical, trabalhos etc), volto aqui falar do que as pessoas gostam de ouvir, mas nem sempre de ler sobre: música!. Eu sei que meu público é restrito, mas faço questão de deixar registrado o passo-a-passo do que se tornará em breve a minha primeira aventura no mundo das gravações: "Songs From The Underground". Só para recapitular, "As Canções do Metrô" são chamadas assim simplesmente porque escrevi muitas delas em viagens pelo subterrâneo da capital paulista. Assim, hoje eu gostaria de comentar sobre algumas das próximas faixas que irei ensaiar este final de semana. A seguir:

IN THOSE SMALL HOURS OF TUESDAY: Sempre gostei de bossa-nova mas, para ser sincero, minha preferência pelo estilo cresceu quando ouvi Sting, Paul McCartney e outros artistas cantando músicas que misturam o pop com o jazz e o tema brasileiro nascido nos anos 50. Canções como "In The Moonlight", cantada por Sting e composta por John Williams para o remake de "Sabrina" (1995), e "Heaven On The Sunday, assinada por McCartney (Flaming Pie, 1997) funcionaram como inspiração. Aliás, a bossa-jazz ganhou corpo com o lançamento "Till There Was You", não por acaso gravada pelos Beatles em "With The Beatles" (1963). A composição, a propósito, é de autoria de Meredith Wilson (1957) e usada no musical "The Music Man". Todo esse caleidoscópio musical me influenciou para definir "In Those Small Hours Of Tuesday", que espero gravar em breve com um clima que irá misturar os anos 50 com um estilo mais pós-moderno :-).






CRESCENT MOON: Você acredita em bruxas? Ou fantasmas? Bem, eu não. Mas que eles existem... Na verdade, usei essa brincadeira como gancho para definir "Crescent Moon": um folk com sabor celta, escrito às véspera do "Dia das Bruxas" e dedicada às bruxas nacionais e internacionais... O símbolo da lua é forte, e muito invocado pelos que acreditam na força mística. No campo das inspirações: Van Morrison, música folk irlandesa etc.




Van Morrison


NO SUMMER RAIN: Rock mais direto. Eu gosto das músicas rápidas, mas é muito difícil compor um rock de qualidade, sem cair no lugar comum. O que achei mais interessante é que usei apenas 2 acordes em uma música que dura quase 5 minutos. Aumentou a dificuldade, mas gostei do resultado. Inspiração: "pessoas que acreditam apenas que você é como uma chuva de verão, sem poder, sem reação". Engano... A letra foi composta em 2007, no começo do ano, e o estilo pode ser um pouco de Duran Duran (pelo menos, no meu ouvido), mas sem o clima dançante.

And that's all folks... for now
Claudio

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Herança de Martin Luther King




"It’s a beautiful day”


A frase não só lembra, como é parte do primeiro single do U2 que promoveu o bem-sucedido “All That You Can’t Leave Behind”, LP lançado em 31 de outubro de 2000.

Mas o assunto do dia, do ano, e talvez, pelo menos, do início deste século, só poderia ser Barack Hussein Obama II – o primeiro líder afro-norte-americano a assumir a Casa Branca daqui a alguns dias, em 20 de janeiro de 2009.

Não dá para deixar de citar Martin Luther King, que em seu discurso afirmou que sonhava com a igualdade entre credos e raças. Pois se esse feito talvez seja ainda utópico, somente o fato histórico de podermos contemplar um representante da raça negra no cargo político mais importante do planeta, já se pode dizer que o revendo King, morto em abril de 1968, teve sua morte vingada.

Há quarenta anos ou menos, um homem negro não podia sequer olhar nos olhos de um branco em certas partes dos EUA e do resto do planeta. Agora um homem negro não só olha diretamente nos olhos de milhões de cidadãos de diversas cores e raças, como tem o poder de decidir sobre seus futuros e de muitos mais.

A felicidade de poder anunciar sua vitória no dia de hoje no jornal diário que trabalho na Alpha FM foi gratificante. Não que Obama seja o Messias e tenha em suas mangas as respostas para a crise global, os problemas no Iraque e Afeganistão e a solução para acabar com aversão do mundo à política norte-americana, que por 8 longos anos foi pontuada pela espada – ou pior – pela chacina de inocentes em diversos pontos do globo, com destaque para a morte de civis no Iraque e Afeganistão. Não: não existe justificativa para 6 anos de sangria, nem mesmo o 11 de setembro em Nova York.

MILAGRES

Agora, com Barack Obama no Salão Oval da Casa Branca e a maioria Democrata no congresso dos EUA, o que se espera do novo governo é uma mudança de atitude. Não apenas em medidas efetivas para diminuir o desemprego interno e seus reflexos pelo mundo. Não existem milagres: Obama tratará de uma doença quase terminal que só tera cura se o país se unir em torno de um objetivo comum.

Minha esperança em relação aos Estados Unidos é que esta maravilhosa nação perca o ranço de séculos e séculos, motivada por sua superioridade nos campos de batalha e nos setores econômicos que por anos e anos segregaram o país das demais. Uma espécie de impáfia que só provocou ainda mais ódio do mundo frente às políticas capitalistas e até fascistas (ainda que veladas) que afastaram os EUA da humanidade no contexto social e histórico. Agora que o calcanhar de Aquiles ficou exposto, o que se espera de Obama é que ele possa liderar seu povo, seja democrata ou republicano, ou mesmo independente, para uma re-humanização e um resgate de sua alma. A alma que o país perdeu quando afirmou ser intocável com um “deus em um Olimpo, acima de tudo e de todos”.



Mas, como o próprio senador Barack Obama prometeu em seu discurso de vitória, em Chicago, “A mudança chegou”... E com a trilha sonora do U2 ao fundo, o desejo é de que esse esperado “Beautiful Day” saia cada vez mais da letra composta por Bono e se transforme em uma realidade para América e todo o mundo. Sim, “we can change”... Esperamos que a profecia se confirme a partir de agora. Sem ilusões, mas sempre com fé no poder de realização do homem.

Claudio

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A volta de "O Estado Interior"




Eu mantinha um blog no UOL chamado “O Estado Interior”, onde publicava alguns textos de minha autoria.
A partir de agora, vou escrever algumas coisas aqui também, mais curtas, porém para deixar como registro.
Ai vai a primeira:




Percepção

E sem perceber
Era mesmo isso
Você sempre
Algo que não decifro
Minha voz
E luz no céu deserto
Tudo que sustenta
O limite
E a completa existência
Os discos
A febre noturna
E mãe natureza
Eu percebi
A sincronia
O tempo...
Mas, afinal, o que é o tempo?




terça-feira, 28 de outubro de 2008

"Songs From The Underground" - mais sobre


CANÇÕES DO METRÔ - iii

Falar sobre minhas composições aqui em meu blog sobre música (e sobre o Lost, que deve recomeçar em janeiro, oba!) pode não ser de grande interesse para os leitores. As músicas são em inglês, o que também pode afastar alguns puristas. Mas isso eu não ligo! Eu escrevo por prazer, como desafio, e com a cabeça em um projeto particular. Sem ambição, mas com boas intenções!

Tenho composto bastante. Acho que fiz umas 10, entre agosto e outubro. Entre elas: “Can’t You See The Healing Light”, “In Those Small Hours Of Tuesday”, “Meant Every Line”, “A Sun Halo”, “Crescent Moon”, “On The Way To The Planet Self”, e “Somebody Else’s Life”. Outras, em progresso, incluem: “Two Unknown Dancers”, “Between Joy, Sweet Joy”, “Don’t Give Up On Me" (que comecei há anos e nunca terminei) e mais uma que não defini o título ainda.

A sensação de fazer música é muito boa. É um escape, um meio de viajar... A música para mim é a melhor das artes. Ela é um veículo, uma forma de expressão, e uma espécie de cura para alma. Mesmo que não seja algo de algo sucesso profissional, é um dom que agradeço ter. A intuição para escrever é algo raro. Sejam boas ou não, são minhas! Ou melhor: são de todas as pessoas que ouvirem. Eu espero fazer um bom trabalho quando grava-las. Fazer justiça ao potencial das canções, e para quem ouvi-las principalmente. Não quero ver ninguém tapando os ouvidos!

INSPIRAÇÕES

Eu busco inspiração em diversas fontes. Eu vi uma frase em uma foto que tirei no metrô de Londres em 2000, onde estava escrito: “Stop Day-dreaming and Go”. Nossa, caiu como um raio! Daria uma boa letra. Estou pensando nisso agora. Sobre o estilo das músicas, varia bastante. O jazz/rock é algo que me fascina. E isso está na nova “The Unknown Dancers”. Acho que vai ficar bem cool :-) . Tenho ouvido coisas diferentes: Miles Davis (“A Kind Of Blue”), James Taylor (“Hourglass” – lindo disco!) e uma nova do Paul McCartney chamada “Two Magpies”. Um tipo de som que só ele sabe fazer. O novo do Oásis (“Dig Out Your Soul”), e um favorito “Urban Hymns” do The Verve são fontes inspiradoras também. Falando no último, que canção fantástica é “Lucky Man”. Diz tudo.

Abraços

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Murphy x Modfather




22 PESADELOS



Já ganhei alguns concursos legais - poucos, mas interessantes. O último foi bem legal: um par de ingressos para ver um de meus ídolos no pop: o rei do Mod, um dos artíficies do Britpop como conhecemos hoje, ninguém menos que Paul Weller - ex-The Jam e Style Council.

Sim. Seria sua primeira vez aqui no trópico. E ele traria sucessos de sua carreira, mais coisas LINDAS de seu "22 Dreams" - uma coleção de canções fantásticas lançadas este ano em um disco duplo (mas CD único). Recomendo essa aquisição. Destaque para "Cold Moments", "Echoes Round The Sun", Wh'ever ye Go", "Invisible", "Have You Made Up Your Mind", "Light Nights" etc.



Pois sim. Quando vi a promoção de um site divulgando ingressos, não teve outra. Fui lá! Mas entrei meio sem fé de ganhar. Foi assim: se ganhasse, beleza. Perguntaram por que eu gostaria de assistir aos shows do Tim Festival, onde Paul Weller daria o ar de sua graça hoje mesmo aqui em SP. Respondi algo maluco: "Tive 22 sonhos seguidos de que viria Paul Weller... e ele teria vindo tocar aqui no Brasil a pedidos de alguém que nasceu no dia 22 do mês 2"... ou seja: EU!"

Murphy entra em campo: no momento em que preenchi o formulário do concurso, a bomba:


"PAUL WELLER CANCELA SHOW EM SP"


O motivo divulgado: visto negado a um de seus músicos.


Nem precisa falar: depressão total.

Agora quando poderei ter chance de conferir o Modfather do rock?

Sabe apenas Deus :(

Quem sabe eu ganho outra agora, desta vez para o R.E.M, que só veio uma vez aqui em 2001, mas apenas no RJ.


Abraços tristes

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O mundo imaculado dos sons...





POP E SUAS FACETAS


Seja rock. Seja jazz. Seja ambient. Seja bluegrass. Como disse Frank Zappa: “fazer música é como esculpir o ar”... Esta é a melhor frase que define o ato de fazer música, e eu não me canso de ouvir e “tentar” fazer algo interessante do gênero com minhas singelas composições...
Atualmente eu tenho ouvido um mix de coisas que me influenciam.



Como por exemplo: “Raising Sand”, de Robert Plant e Alison Krauss. Disco fantástico. Eu li em algum lugar que a instrumentação/gravação lembra um pouco o trabalho de Danny Lanois em “Time Out of Mind” de Bob Dylan. Eu acho que foi uma observação pertinente, porém, iria além: o trabalho nesse álbum foi além. Uma acústica especial e um show vocalização do ex-Zeppelin com esta deusa da música country (com estilo refinado). Destaco desta obra as faixas “Please Read The Letter” e “Killing The Blues".







A seguir, uma viagem à minha infância com a apreciação do álbum Simon & Garfunkel, live at Central Park. Se você não tem, deveria. É uma produção muito bem cuidadosa. Ou seja: não tem overdubs descarados, e é um documento histórico dessa dupla, ao vivo em Nova York. “Old Friends” leva qualquer um às lágrimas, acompanhado de “Sounds Of Silence”, “Heart In New York”, “The Boxer” e claro: “Bridge Over Trouble Water”.


O cardápio continua com belos discos novos, como “Dig Out Your Soul”, do Oasis (“Waiting For The Rapture”, “The Turning”, e as faixas bônus “Boy With The Blues” e “I Believe In All"); “Ode To J.Smith” (tudo) do Travis, e o melhor disco do ano 2008 até o momento: “22 Dreams” do Paul Weller. Um trabalho sem fronteiras, limites musicais: rock, pop, folk, jazz, experimental e maluquices. Quem não tem esse, deveria ser processado!






Travis, the invisible band :)

McCartney III

Quem conhece a fundo a carreira de Paul McCartney, sabe bem que ele é adepto à experimentação sonora. Já lançou diversos discos com psudônimos. Entre eles, The Fireman. Um alter-ego dos mais interessantes. Agora em novembro sairá a terceira edição dessa linha: “Electric Arguments”. Até agora, “Nothing Too Much, Just Out Of Sight”, “Sing The Changes” e “Lifelong Passion” foram as faixas divulgadas, e não parecem nada do que ele já fez até hoje. Mais informações aqui: http://www.thefiremanmusic.com/. (PS: ele toca todos os instrumentos no disco).





E se você gosta de McCartney, compre quando sair. E na hora, para aproveitar o clima. Ainda sobre o mito, saia à caça de um show ao vivo dele em Quebec. Fantástico. O melhor deles em décadas, com show de vocal em plenos 67 anos de idade...

No próximo post queria falar de composições, jazz (Miles Davis) e minha nova aquicisição: um toca-discos! E os primeiros LPs que eu ouvi nesse aparelhinho, incluindo meu velho Joshua Tree. Talk about killing nostalgia... :-)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Canções "subterrâneas" - parte 3



AS CANÇÕES QUE FIZ PARA...
Algumas vezes eu já postei aqui para falar de um projeto particular, profundamente sem qualquer ambição, mas definitivamente movido pela paixão musical. Ele anda bem, obrigado. Eu já gravei mais de 27 demos simples das músicas de minha autoria, e reduzirei esse número para 12 ou 13, para que eu consiga gravar cada faixa com cuidado, com o apoio de amigos, e arranjos interessantes.
Uma dessas músicas (já mostrei o manuscrito da própria) "Love And Light", contará com o arranjo do Sitar. Aliás, acho preponderante. Esse instrumento é o "instrumento" nessa música. Acho que vai ficar legal.
Tenho contatado amigos para essa maluquice. Uns irão me ajudar a produzir. Outros, nas performances. Já contatei meus parcerios cantores, cantoras, guitarristas e músicos em geral que irão me apoiar. Eles curtiram a idéia, que batizei provisoriamente como "Songs From The Underground".... Por que?
Simplesmente, porque a maioria das letras/músicas surgiram em viagens de metrô por SP.


Sobre elas, gostaria de falar um pouco agora:




Rabindranath Tagore



(IT'S LIKE) A MIRACLE: Eu escrevi esse rock/r&b/jazz em 1996. Sim, já há 12 anos! Me lembro da inspiração. Eu conheço um poeta, grande amigo, muito talentoso, chamado César Borges, e nós conversávamos sobre outro autor Rabindranath Tagore (Calcutá, 1861-1941), um indiano. A idéia por trás de sua filosofia é incrivel. Vale a pena ler sobre. O Google irá resolver a curiosidade. Então... a partir daí, a frase "like a friendly word" (como uma palavra amiga) surgiu e eu desenvolvi a idéia como se fosse um milagre (Like a miracle). O resto foi ter paciência para terminar...





A SUN HALO: Bem mais recente. Acho que fiz no final de agosto deste ano, quando um halo solar cobriu a cidade. Era um dia quente, então, tem a frase: "the springtime earlier than before" (a primavera antes do tempo). Para nossa surpresa, setembro foi mais frio que agosto. Vai entender! Mas voltando à música, eu escrevi a letra no dia do fenômeno, mas só voltei a ela dois dias depois. Eu achei legal incluir no meio da história algo que estava acontecendo no mundo. Por isso tem "George you are in my mind". Aliás, uma citação a outras músicas que falam de Georgia na letra: "Georgia In My Mind" (Gorrel & Carmichael) e "Back In The U.S.S.R" (Lennon & McCartney). Não à toa. A região da Ossétia do Sul estava sendo reconhecida como independente pela Rússia. Ares da guerra fria de volta, penso.




WILD WIND: Inspirada por Eddie Vedder. A palavra "Wild" no filme "Into the Wild" me atraiu, por conta da história fantástica e triste, contada na tela por Sean Penn. Assista, não vai se arrepender. A frase "Wild wind has blown the words away" é interessante porque muitas vezes vamos falar algo, e parece que um vento forte chega e leva para longe. Fenômeno estranho.






Bem, em um outro post eu falo mais a respeito das crias :)

Claudio

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O novo álbum do U2 - parte 2



MAKING "THE NEW U2"

Li por aí na rede que alguns fãs de U2 têm culpado Bono pelo atraso no lançamento do novo álbum da banda, que chegaria para a gente em novembro deste ano. Mas desta vez... bem, desta vez não deve ser o caso. Nada a ver com as (justas) causas sociais defendidas por ele.


Fato é: o grupo vem polindo o disco desde 2006, quando começou a gravar com Rick Rubin faixas para o CD "U2 18 singles", que trouxe "Window In The Skies" e "The Saints Are Coming" (com Green Day). Dessas sessões, já foi comentado que outras músicas gravadas em setembro daquele ano podem aparecer em um LP que deve se chamar, como comentei, "No Line On The Horizon".


Os trabalhos de Adam, Bono, Edge e Larry prosseguiram em 2007, desta vez com ajuda na produção - E COMPOSIÇÃO! - de Danny Lanois e Brian Eno. Os seis músicos decidiram buscar inspiração na cidade marroquina de Fez, no mesmo local onde gravaram o clipe de "Mysterious Ways" em 1991 ("Achtung Baby"). O site oficial da banda, na época, postou diários interessantíssimos da passagem do U2 por lá. Em um desses artigos, Adam disse que já haviam trabalhado em mais de 40 peças novas. Cada uma delas, marcada por diferenças gritantes em relação ao que o grupo lançou entre 2000-2006. Essa informação foi confirmada por Bono em uma entrevista a um jornal do país, que citou inclusive nomes de algumas novas canções: "For Your Love" e "One Bird" (a penúltima aqui, confirmada mais tarde por The Edge).

U23D

O final do ano passado foi marcado pelo lançamento do filme "U23D" que, como visto, chegou no Brasil só agora. Nesse período, ficamos sabendo de mais alguma coisa sobre o disco, inclusive a faixa (que pode ser a "título") chamada "No Line On The Horizon" - uma balada que se mistura ao peso da guitrra de Edge, com um pedal de distorção adicionado. Um jornalista americano (de sorte) chegou a ouvir um mix dessa música durante o festival de cinema de Sundance.

Mais pistas sobre o novo som surgiram aqui, lá, e em toda parte. Inclusive no Youtube: quatro faixas (entre elas, parte de "NLOTH") foram postadas lá, e depois retiradas. Um outro arquivo de áudio chegou até a mim e dava para perceber que Bono cantava algo como "Walk Out The Streets". Sem muita fidelidade no som, infelizmente!

No decorrer deste ano (que já está na reta final), mais títulos foram divulgados. Um deles, por Daniel Lanois: "The Cedars Of Lebanon". Danny disse também que a banda buscou inspiração no som das mixagens usadas no contrabaixo e bateria dos discos de Jimi Hendrix. Uau! (...)


JATO FRIO!





Com tantas informações em circulação o que poderia ser melhor? Sim, mais informações. De acordo com nosso guitarrista favorito em entrevista a revista Q, outros títulos que apareceriam no disquinho seria um rock poderoso chamado "Breathe" e outro tema no estilo rockabilly-se-encontra-com Achtung Baby!- batizado como "Get On Your Boots"... Ah, sim, e "Moment Of Surrender", que eu havia esquecido de comentar, mas que já tinha sido mencionado por alguém na máfia de Dublim...

Assim, quando todos aguardavam pelas primeiras notícias de promoção do novo álbum, chega poderoso o jato frio de cerveja Guinness. O disco não sairia mais este ano. Palavras de Bono e Edge, que justificaram "estar no meio de um processo criativo que não poderia ser parado... E que se este álbum não fosse realmente especial, não poderia nem ser lançado"...

Tudo bem. Parece que o CD ficou mesmo para 2009, e em fevereiro.


Pergunta: vai dar para esperar com calma?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

U23D - rock and roll tridimensional


O PODER DO TERCEIRO OLHO


Uma pausa nas gravações do novo do U2 para falar de...U2! :)



A jornada para ver/ouvir o U2 sempre é marcada por fatos, no mínimo, curiosos aqui no Brasil.

E agora foi comprovado: tudo aquilo que a gente viu no mês de fevereiro de 2006 foi como um furacão. Uma tempestade tropical batizada “U2-mania”. E não completamente no bom sentido. Muita, mas muita gente que atrapalhou quem realmente gosta da banda na compra de ingressos, e queria ver os caras mesmo, não repetiu o feito para assistir ao U2 em um espetáculo de show e imagem: U23D. Ao menos na minha sessão, em 6 de setembro, às 20h.

OK. O preço da entrada não é dos mais suaves. R$22,00. Mas para quem invadiu madrugada para comprar ingresso, furar fila (grande parte, nem sabendo cantar “One” ou dar uma informação além de que o vocalista se chamava BONO VOX - sic) e causar um transtorno geral, foi meio decepcionante entrar na sala de cinema e ver apenas 15 pessoas. Isso contanto comigo e família, vale ressaltar.

No fim dessa introdução, é hora de falar de arte. E rock. Isso é U23D: 85 minutos que te levam ao passado recente, onde a nostalgia se renova quando você pensa que a banda pode estar de volta por aqui em pouco tempo. Já-já...

Em contrapartida, quem esperava ver cenas dos espetáculos que levaram a galera lotar o Morumbi em 20 e 21 de fevereiro, há mais de dois anos, vai se decepcionar. Esses takes podem ser resumidos em tomadas aéreas da platéia, em enquadramentos dos fãs, do ponto de vista da banda e em mais um trecho, onde, você sabe: nossos amigos argentinos foram vaiados em alto volume...


E por falar em Argentina, foi a pátria azul-celeste e branca que saiu ganhando. Em muitas, muitas oportunidades, Bono fala em espanhol e se dirige aos portenhos em reverência. Dá, sim, uma pitada de inveja. Mas isso é rápido. A música é mais importante. Bono, The Edge, Adam e Larry estão no centro do universo.


ENTREGA TOTAL

Se bem que é bom frisar: algumas performances, ao menos em comparação com o que o Multishow/Globo exibiu na TV saem perdendo em U23D (do ponto de vista da energia de Bono). Exemplos: “Sometimes You Can’t Make It On Your Own” e “New Year’s Day”. Em “One”, também. A versão do dia 20 em SP detona a do filme, em humilde opinião.




O destaque do setlist em U23D fica para “Love And Peace Or Else”, quando Bono se entrega no palco, desta vez, no comando das baquetas. Muito bacana. Ficaria longo analisar faixa por faixa. É mais divertido deixar que o expectador decida por si próprio. Mas outro fator de relevância, aqui, não dá para omitir: O SOM. Nossa. O pulsar dos instrumentos musicais predominam de forma harmoniosa, e você consegue mesmo apreciar cada nuance, cada textura das canções graças à banda e à tecnologia que permite essa viagem.

Eu sei que nem é preciso citar isso na minha análise, mas vale o lembrete: não abandone a sala após a última música. Quando os créditos rolarem, fique. Vale a pena curtir uma maravilhosa versão acústica de “Yahweh”. Leve os lenços de papel, ok?

Na parte das imagens, os efeitos em 3D acabam ficam em segundo plano. Ou melhor, em terceira dimensão. Não dá para querer uma avalanche de takes em 3D, como acontecem em filmes especialmente criados para essa tecnologia. É um show de rock. Quando as imagens tridimensionais aparecem, é maneiro. Muito legal. Mas elas não são o ponto central. O centro do universo para quem for ao cinema é a banda. Três acordes (e alguns extras) e a verdade.

Claudio

P. S. Não deixe de ler a continuação sobre os bastidores do novo disco do... U2, claro!