
"It’s a beautiful day”
A frase não só lembra, como é parte do primeiro single do U2 que promoveu o bem-sucedido “All That You Can’t Leave Behind”, LP lançado em 31 de outubro de 2000.
Mas o assunto do dia, do ano, e talvez, pelo menos, do início deste século, só poderia ser Barack Hussein Obama II – o primeiro líder afro-norte-americano a assumir a Casa Branca daqui a alguns dias, em 20 de janeiro de 2009.
Não dá para deixar de citar Martin Luther King, que em seu discurso afirmou que sonhava com a igualdade entre credos e raças. Pois se esse feito talvez seja ainda utópico, somente o fato histórico de podermos contemplar um representante da raça negra no cargo político mais importante do planeta, já se pode dizer que o revendo King, morto em abril de 1968, teve sua morte vingada.

Há quarenta anos ou menos, um homem negro não podia sequer olhar nos olhos de um branco em certas partes dos EUA e do resto do planeta. Agora um homem negro não só olha diretamente nos olhos de milhões de cidadãos de diversas cores e raças, como tem o poder de decidir sobre seus futuros e de muitos mais.
A felicidade de poder anunciar sua vitória no dia de hoje no jornal diário que trabalho na Alpha FM foi gratificante. Não que Obama seja o Messias e tenha em suas mangas as respostas para a crise global, os problemas no Iraque e Afeganistão e a solução para acabar com aversão do mundo à política norte-americana, que por 8 longos anos foi pontuada pela espada – ou pior – pela chacina de inocentes em diversos pontos do globo, com destaque para a morte de civis no Iraque e Afeganistão. Não: não existe justificativa para 6 anos de sangria, nem mesmo o 11 de setembro em Nova York.
MILAGRES
Agora, com Barack Obama no Salão Oval da Casa Branca e a maioria Democrata no congresso dos EUA, o que se espera do novo governo é uma mudança de atitude. Não apenas em medidas efetivas para diminuir o desemprego interno e seus reflexos pelo mundo. Não existem milagres: Obama tratará de uma doença quase terminal que só tera cura se o país se unir em torno de um objetivo comum.
Minha esperança em relação aos Estados Unidos é que esta maravilhosa nação perca o ranço de séculos e séculos, motivada por sua superioridade nos campos de batalha e nos setores econômicos que por anos e anos segregaram o país das demais. Uma espécie de impáfia que só provocou ainda mais ódio do mundo frente às políticas capitalistas e até fascistas (ainda que veladas) que afastaram os EUA da humanidade no contexto social e histórico. Agora que o calcanhar de Aquiles ficou exposto, o que se espera de Obama é que ele possa liderar seu povo, seja democrata ou republicano, ou mesmo independente, para uma re-humanização e um resgate de sua alma. A alma que o país perdeu quando afirmou ser intocável com um “deus em um Olimpo, acima de tudo e de todos”.

Mas, como o próprio senador Barack Obama prometeu em seu discurso de vitória, em Chicago, “A mudança chegou”... E com a trilha sonora do U2 ao fundo, o desejo é de que esse esperado “Beautiful Day” saia cada vez mais da letra composta por Bono e se transforme em uma realidade para América e todo o mundo. Sim, “we can change”... Esperamos que a profecia se confirme a partir de agora. Sem ilusões, mas sempre com fé no poder de realização do homem.
Claudio

