
ACROSS THE UNIVERSE!
Mea culpa. Não assisti ao musical Across The Universe quando este esteve em cartaz aqui nos cinemas nacionais em março. Mas também não foi um erro muito grave, afinal o longa foi exibido em poucas telas - em circuito exageradamente fechado. Depois de poucos meses, consegui finalmente degustar esta produção de aproximademente 130 minutos - em DVD. E valeu cada milésimo de segundo. E o melhor: cada interpretação - principalmente das canções maravilhosas dos Beatles, respeitosamente (sem perder a criatividade) executadas pelos atores.
Ah... É meio que um ato suspeito comentar. E já que parece ser um ato imparcial, não preciso economizar elogios para o filme dirigido por Julie Taymor.
Vamos fazer assim: Sem entregar nada, Across The Universe conta a história de Jude (Jim Sturgess), um rapaz de Liverpool que deixa sua terra natal, rumo à América assombrada pela guerra do Vietnã, onde faz diversos amigos, entre eles Max (Carrigan - irmão de Lucy - vivido por Joe Anderson), e se apaixona por uma garota chamada - também não por coincidência - Lucy (Evan Rachel Wood).
O tema é bem básico, mas o roteiro em si é o que menos conta. O que vale mesmo é toda a temática "Beatle". Explico: os personagens supracitados, todos eles são criaturas fictícias tiradas da mente de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison. Assim, os personagens centrais foram tirados das canções "Hey Jude" e "Lucy In The Sky With Diamonds", respectivamente.
Outro ponto forte é o visual da película. Os efeitos são bacanas, e remetem aos temas psicodélicos dos anos 60 - não somente dos Beatles, mas também de Jimi Hendrix e Janis Joplin.
Minhas partes favoritas são as que usam como figuras centrais "Dear Prudence", "Strawberry Fields Forever" e "Oh Darling!". Na primeira, vale pelos vocais combinados de Max, Jude e Lucy. É de arrepiar. Em "Strawberry", os lances psicodélicos são arrebatadores. Uma obra de arte. E por fim, é bem legal a performance de "Oh Darling" no estilo soul, com uma pitada de distorção acrescentada por uma guitarra à moda Hendrix...
SEX, DRUGS AND ROCK AND ROLL
Não recomendo o filme para crianças. Muitas cenas remetem ao consumo de drogas alucinóginas, ainda que de forma sutil. Fora isso, o rock predomina sobre o sexo. Há apenas alguns indicativos de "sexual intercourse". O que vale ressaltar é a intepretação perfeita de Joe Anderson, como Max Carrigan (Levemente, uma alusão a "Maxwell's Silver Hammer", menos com seu sobrenome mudado - o original, sendo Edison). O jovem ator inglês consegue se aplicar como cantor, ator dramático e cômico, portanto leva meu 10.
Não desmereço aqui o trabalho do protagonista, Jim Sturgess, mas Anderson em minha ótica "caleidoscópica", dá de goleada...

Estava quase deixando Lucy fora do céu de diamantes, mas seria uma falha irreparável. Além da aparência natural, que cai como uma luva se imaginarmos a letra criada por John Lennon, o desempenho dramático da americana, nascida na Carolina do Norte, fez justiça à escolha da atriz que, como ponto fraco, tem em seu CV o pesar de ser namorada de Marilyn Mason...(...).
Agora é esperar o DVD versão dupla, que ainda não saiu por aqui!
PS: no próximo post, volto a falar de Lost, e sua 4ª temporada, que já está no 11º episódio.
PPS: Mea culpa number 2: Esqueci de citar, mas ainda dá tempo. Bono está PERFEITO como Doctor Robert (vide canção homônima no LP Revolver), cantando "I Am The Walrus". Até que a participação do nosso ídolo irlandês é bem extensa, se contarmos que seria somente uma ponta. Confiram a interpretação do músico, e os visuais carregados de psicodelia durante suas cenas. Se você acompanha o U2, vai se recordar de The Fly e também Mirrorball - personagens encarnadas por Bono nas turnês ZOO TV e Zooropa (92-93).

