
COMO O ROCK PODE MUDAR SUA VIDA - parte 76357...
Parece um clichê daqueles, não é verdade? Mas o Rock & Roll (sim, como R maiúsculo) é capaz de mudar a vida de uma pessoa. Principalmente em uma fase crítica, que é da passagem do período adolescente para o adulto. Mas antes vamos a um breve flashback.
A primeira "manifestação Rock & Roll" que causou impacto no meu dia-a-dia aconteceu em janeiro de 1985. Não por coincidência, por conta do Rock In Rio - o primeirão!
De fato, a apresentação do Queen em 1981, em São Paulo, havia marcado bastante. Mas eu nem tinha 10 anos. No Rock In Rio, não. Eu já tinha quase 13. E isso faz diferença. Sem falar que 1985 foi uma espécie de consolidação do chamado "Rock Br", com Titãs, Paralamas, Barão, Ira!, Blitz, Capital Inicial, Ultrage A Rigor e outros que seguiriam o impulso, como Legião Urbana e Engenheiros do Hawaii...
Meu primeiro LP com temáticas roqueiras foi "Please Please Me", dos Beatles. E isso pouco antes de 1981. Influenciou. Até hoje.
Acelere até o ano de 1990. Foi quando fiz minha primeira viagem sozinho. Tinha acabado de completar 18 anos, e a ocasião era espacial: Paul McCartney - o primeiro show de um Beatle no Brasil! A partir desse ano, arrumei também meu primeiro emprego, em uma loja de instrumentos musicais. Foi lá que aprendi a tocar um pouco de contrabaixo. Antes mesmo da guitarra. Ah, a guitarra!
Falo de um trauma... no final daquele chuvoso 1990, eu perdi a convivência com uma importante pessoa em minha vida. Argh! Mas faz parte do destino de todos. De qualquer maneira, eu decidi que iria aprender a tocar violão e guitarra. Comecei sozinho, peguei dicas com meu pai e amigos. Putz! Tava feito. Fiquei viciado. Já era 1991. Ano Rock & Roll daqueles!

Você deve lembrar que este ano marcou o estouro de grupos como Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Alice Chains... Todos de Seattle. Era o apelidado "Rock Grunge". Mas era bem mais além disso. O Rock & Roll estava de volta à moda. Na cola de Seattle, as ótimas fases de U2 ("Achtung Baby!"), Red Hot Chili Peppers ("Blood Sugar Sex Magik") Guns 'n' Roses (os duplos "Use Your Illusion"), Metallica (álbum preto) e muitos mais.

Era incrível... lembro de assistir mais tarde o Nirvana no Hollywood Rock, e depois com a morte trágica de Cobain, isso ficaria marcado como um evento da história. Ainda que negativo.
Mas o início da década foi Rock & Roll demais... Lembro que organizamos no SAA uma peça chamada "O teatro através dos tempos", que tentava resumir a literatura brasileira por meio de atos. Sim, isso é dramaturgia. Mas não, não era dramaturgia! Eram textos performáticos com trilhas montadas pela gente, baseadas em coisas dos Beatles e do The Doors. Aliás, The Doors que tinha voltado em cena com o filme de Oliver Stone. Caramba, esse filme marcou e me fez estudar a poesia de Jim Morrison a fundo.
Ah, tudo isso com cobertura da MTV (quando era uma emissora roqueira também). Então, minha vida naquele momento era quase 100% Rock & Roll. O cabelo comprido estava de volta à moda, e atitude também.
Sem falar que no ano seguinte a garotada pintou o rosto e saiu para protestar contra o governo Collor e tudo mais http://pt.wikipedia.org/wiki/Cara-pintadas. Atitude Rock & Roll em falta hoje. Aliás, tá tudo muito parado!
Time to move on...
and rock on
love and light
Claudio

