
O PODER DO TERCEIRO OLHO
Uma pausa nas gravações do novo do U2 para falar de...U2! :)
A jornada para ver/ouvir o U2 sempre é marcada por fatos, no mínimo, curiosos aqui no Brasil.
E agora foi comprovado: tudo aquilo que a gente viu no mês de fevereiro de 2006 foi como um furacão. Uma tempestade tropical batizada “U2-mania”. E não completamente no bom sentido. Muita, mas muita gente que atrapalhou quem realmente gosta da banda na compra de ingressos, e queria ver os caras mesmo, não repetiu o feito para assistir ao U2 em um espetáculo de show e imagem: U23D. Ao menos na minha sessão, em 6 de setembro, às 20h.
OK. O preço da entrada não é dos mais suaves. R$22,00. Mas para quem invadiu madrugada para comprar ingresso, furar fila (grande parte, nem sabendo cantar “One” ou dar uma informação além de que o vocalista se chamava BONO VOX - sic) e causar um transtorno geral, foi meio decepcionante entrar na sala de cinema e ver apenas 15 pessoas. Isso contanto comigo e família, vale ressaltar.
No fim dessa introdução, é hora de falar de arte. E rock. Isso é U23D: 85 minutos que te levam ao passado recente, onde a nostalgia se renova quando você pensa que a banda pode estar de volta por aqui em pouco tempo. Já-já...
Em contrapartida, quem esperava ver cenas dos espetáculos que levaram a galera lotar o Morumbi em 20 e 21 de fevereiro, há mais de dois anos, vai se decepcionar. Esses takes podem ser resumidos em tomadas aéreas da platéia, em enquadramentos dos fãs, do ponto de vista da banda e em mais um trecho, onde, você sabe: nossos amigos argentinos foram vaiados em alto volume...
E por falar em Argentina, foi a pátria azul-celeste e branca que saiu ganhando. Em muitas, muitas oportunidades, Bono fala em espanhol e se dirige aos portenhos em reverência. Dá, sim, uma pitada de inveja. Mas isso é rápido. A música é mais importante. Bono, The Edge, Adam e Larry estão no centro do universo.
ENTREGA TOTAL
Se bem que é bom frisar: algumas performances, ao menos em comparação com o que o Multishow/Globo exibiu na TV saem perdendo em U23D (do ponto de vista da energia de Bono). Exemplos: “Sometimes You Can’t Make It On Your Own” e “New Year’s Day”. Em “One”, também. A versão do dia 20 em SP detona a do filme, em humilde opinião.
O destaque do setlist em U23D fica para “Love And Peace Or Else”, quando Bono se entrega no palco, desta vez, no comando das baquetas. Muito bacana. Ficaria longo analisar faixa por faixa. É mais divertido deixar que o expectador decida por si próprio. Mas outro fator de relevância, aqui, não dá para omitir: O SOM. Nossa. O pulsar dos instrumentos musicais predominam de forma harmoniosa, e você consegue mesmo apreciar cada nuance, cada textura das canções graças à banda e à tecnologia que permite essa viagem.
Eu sei que nem é preciso citar isso na minha análise, mas vale o lembrete: não abandone a sala após a última música. Quando os créditos rolarem, fique. Vale a pena curtir uma maravilhosa versão acústica de “Yahweh”. Leve os lenços de papel, ok?
Na parte das imagens, os efeitos em 3D acabam ficam em segundo plano. Ou melhor, em terceira dimensão. Não dá para querer uma avalanche de takes em 3D, como acontecem em filmes especialmente criados para essa tecnologia. É um show de rock. Quando as imagens tridimensionais aparecem, é maneiro. Muito legal. Mas elas não são o ponto central. O centro do universo para quem for ao cinema é a banda. Três acordes (e alguns extras) e a verdade.
Claudio
P. S. Não deixe de ler a continuação sobre os bastidores do novo disco do... U2, claro!


4 comentários:
Costumo dizer que não apenas 'assisti' o U23D, mas sim o 'experimentei'. ;o)
Ótima resenha.
Bjks!
Gleice
Muito bom o texto!!!
Fiquei com vontade de saborear esse delicioso espetáculo denovo.
Como aquele velho ditado, é impossível comer um só, é impossível ir ao cinema uma única vez.
Acho que fiquei um pouco triste de ver a sala vazia quando fui também, mas para mim a platéia ideal seria reunir a UV (Ultraviolet) em uma sala. Aí seria um espetáculo completo!
Abraços
Neto
Desde que o U23D entrou em cartaz aqui em Porto Alegre, uma semana depois do Rio e São Paulo, já assisti ao filme 5 vezes. Contando com a primeira vez, em Buenos Aires em abril passado, são 6 vezes ao todo. Ufa! E cada vez que vejo descubro um detalhe que não havia notado antes. Tem imagens de tirar o fôlego no filme. Concordo contigo Cláudio, One no Brasil em 20/02/06 é imbatível, simplesmente maravilhosa.
bjs, MT
MT: você é demais...Não tem pra ninguém: goleada de 5 no cinema!
Sometimes no dia 20 também triturou essa do U23D!
P.S teremos novidade em breve, me escreva em PVT!
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