segunda-feira, 8 de setembro de 2008

U23D - rock and roll tridimensional


O PODER DO TERCEIRO OLHO


Uma pausa nas gravações do novo do U2 para falar de...U2! :)



A jornada para ver/ouvir o U2 sempre é marcada por fatos, no mínimo, curiosos aqui no Brasil.

E agora foi comprovado: tudo aquilo que a gente viu no mês de fevereiro de 2006 foi como um furacão. Uma tempestade tropical batizada “U2-mania”. E não completamente no bom sentido. Muita, mas muita gente que atrapalhou quem realmente gosta da banda na compra de ingressos, e queria ver os caras mesmo, não repetiu o feito para assistir ao U2 em um espetáculo de show e imagem: U23D. Ao menos na minha sessão, em 6 de setembro, às 20h.

OK. O preço da entrada não é dos mais suaves. R$22,00. Mas para quem invadiu madrugada para comprar ingresso, furar fila (grande parte, nem sabendo cantar “One” ou dar uma informação além de que o vocalista se chamava BONO VOX - sic) e causar um transtorno geral, foi meio decepcionante entrar na sala de cinema e ver apenas 15 pessoas. Isso contanto comigo e família, vale ressaltar.

No fim dessa introdução, é hora de falar de arte. E rock. Isso é U23D: 85 minutos que te levam ao passado recente, onde a nostalgia se renova quando você pensa que a banda pode estar de volta por aqui em pouco tempo. Já-já...

Em contrapartida, quem esperava ver cenas dos espetáculos que levaram a galera lotar o Morumbi em 20 e 21 de fevereiro, há mais de dois anos, vai se decepcionar. Esses takes podem ser resumidos em tomadas aéreas da platéia, em enquadramentos dos fãs, do ponto de vista da banda e em mais um trecho, onde, você sabe: nossos amigos argentinos foram vaiados em alto volume...


E por falar em Argentina, foi a pátria azul-celeste e branca que saiu ganhando. Em muitas, muitas oportunidades, Bono fala em espanhol e se dirige aos portenhos em reverência. Dá, sim, uma pitada de inveja. Mas isso é rápido. A música é mais importante. Bono, The Edge, Adam e Larry estão no centro do universo.


ENTREGA TOTAL

Se bem que é bom frisar: algumas performances, ao menos em comparação com o que o Multishow/Globo exibiu na TV saem perdendo em U23D (do ponto de vista da energia de Bono). Exemplos: “Sometimes You Can’t Make It On Your Own” e “New Year’s Day”. Em “One”, também. A versão do dia 20 em SP detona a do filme, em humilde opinião.




O destaque do setlist em U23D fica para “Love And Peace Or Else”, quando Bono se entrega no palco, desta vez, no comando das baquetas. Muito bacana. Ficaria longo analisar faixa por faixa. É mais divertido deixar que o expectador decida por si próprio. Mas outro fator de relevância, aqui, não dá para omitir: O SOM. Nossa. O pulsar dos instrumentos musicais predominam de forma harmoniosa, e você consegue mesmo apreciar cada nuance, cada textura das canções graças à banda e à tecnologia que permite essa viagem.

Eu sei que nem é preciso citar isso na minha análise, mas vale o lembrete: não abandone a sala após a última música. Quando os créditos rolarem, fique. Vale a pena curtir uma maravilhosa versão acústica de “Yahweh”. Leve os lenços de papel, ok?

Na parte das imagens, os efeitos em 3D acabam ficam em segundo plano. Ou melhor, em terceira dimensão. Não dá para querer uma avalanche de takes em 3D, como acontecem em filmes especialmente criados para essa tecnologia. É um show de rock. Quando as imagens tridimensionais aparecem, é maneiro. Muito legal. Mas elas não são o ponto central. O centro do universo para quem for ao cinema é a banda. Três acordes (e alguns extras) e a verdade.

Claudio

P. S. Não deixe de ler a continuação sobre os bastidores do novo disco do... U2, claro!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Segredos Irlandeses

Bono e Edge na frente do estúdio Hanover Quay, em Dublim


Sim, senhor: LP. Engraçado todo mundo achar que um LP é sinônimo de vinil. Long Player é, na verdade, um termo para a duração da mídia fonográfica (que, lógico, começou a ser produzida no bom e velho plástico!) de longa duração. E também para diferenciar do EP e compacto (leia single).
Mas... vamos ao tópico.
Quem acompanha o U2 sabe que a banda não lança um álbum de inéditas desde 2004 (mais precisamente novembro). A espera para quem gosta da banda tem sido longa. Embora os fãs não possam reclamar do que têm recebido desde essa época, a contar pelos DVDs Vertigo Tour, ZOO TV, U2 18 videos, POPMart (e suas respectivas edições de luxo).
Na seção fonográfica, os irlandeses também não foram econômicos. Para quem tem iPod, o The Complete U2 apresentou raridades como “Love You Like Mad”, “Smile”, “Levitate” e outras. Em 2006 chegou “Window In The Skies” para promover a coletânea “U2 18 Singles” (juntamente com “The Saints Are Coming” – com o Green Day).

Mais recentemente, a fornada de relançamentos foi apetitosa: “The Joshua Tree” (simples, duplo e luxo +DVD) “Boy”, “October” e “War” – os três últimos lotados de bônus. Entre eles algumas inéditas. Destaque para "Cartoon World", "Wave Of Sorrow" e "Angels Too Tied To The Ground" (as duas últimas receberam overdubs atuais da banda).

Mas quem disse que U2-maniacs se satisfazem com pouco?

OUT OF AFRICA


Em 2006, quando a banda ocupou Abbey Road para gravar as duas inéditas (mencionadas no parágrafo anterior) em promoção ao U2 18 Singles, a expectativa maior era de que um álbum de estúdio surgisse em seguida, com produção assinada por Rick Rubin (Red Hot, Metallica etc). Isso não aconteceu. No ano seguinte, o U2 embarcou para Fez, em Marrocos, onde ficou o mês todo criando novas canções. Em seu diário de atividades publicado no site oficial, Bono, Edge, Adam e Larry revelaram suas impressões ao poder usufruir a música norte-africana, compondo ao lado de Brian Eno e Danny Lanois mais de 40 novos itens!
Com tanta criatividade, logo se esperava que as sessões produzissem um disco em menos de dois tempos. Outra pista enganosa! O ano de 2007 foi reservado para mais composições e INÍCIO oficial das gravações para o sucessor de "How To Dismantle An Atomic Bomb" (2004).Sobre isso, falarei no próximo post...stay tuned

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Viva os Democratas... e viva o vinil!


DE NOVO, O LP

De repente, uma série de matérias (ou campanhas) a favor do velho vinil começaram a surgir ao mesmo tempo. Minha última matéria para a Revista da Cultura (no link abaixo) saiu no mesmo momento em que um texto foi publicado na Rolling Stone brasileira. Fora os colegas blogueiros, como http://www.blogdobaratta.blogspot.com/ et al. Estou até pensando em registrar minhas humildes faixas em CD e vinil... nem que eu tenha de descobrir uma fórmula de como produzir uma bolacha caseira (risos). Bem, hoje o post é bem rápido, à moda Usain Bolt.
Abraços!
A matéria:
PS: notem a imagem principal deste post que exibe o conteúdo da edição de luxo do álbum "Dig Out Your Soul", do Oasis, que trará 4 vinis, 2 CDs, 1 DCD, 1 livro estilizado com letras das músicas e outros itens incríveis... Isso vai valer um comentário mais detalhado em breve.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Cantar e gravar: sonho em progresso



TO PLAY = "TOCAR"... MAS TAMBÉM É "BRINCAR"

Quando postei a letra de “Love and Light” aqui neste espaço, não tinha idéia de que o scan de uma letra me motivasse a trabalhar mais nas músicas que eu venho colecionando há anos. Lógico que não pretendo ir longe com as gravações, mas prometi a mim mesmo produzir um CD-demo para a posteridade. Está divertido... Já gravei 14 demos simples com voz e violão para este projeto particular. Ah, sim, alguns amigos já estão me ajudando a editar e organizar o disquinho. Não tenho a manha de fazer isso sozinho ainda.



Um outro item interessante: mandei três dessas canções para meu amigo – o renomado norte-americano David Kahne – produtor de nomes como... Paul McCartney? Sim, isso mesmo. Eu entrevistei Kahne algumas vezes para matérias que escrevi para a Revista Bizz e International Magazine. Ao ouvir minhas humildes melodias, ele curtiu mais “Only You Can Save The World” - que tem uma letra curiosa. Não é apenas sobre um assunto. Mas o tema principal nasceu quando vi uma matéria na TV sobre o U2. A repórter perguntou a um fã se Bono poderia mesmo salvar o mundo (se referindo a uma matéria da revista TIME, publicada em 2002). Ele respondeu “sim, pode!”. Aquilo mexeu comigo. Escrevi a letra na hora e fui modelando a melodia aos poucos.



Mesmo com o elogio às músicas, Kahne não foi puxa-saco, não. Ele me deu alguns conselhos para desenvolver melhor as melodias: “Ouça compositores como Cole Porter para ver como ele trabalha..." - disse... Nossa... eu nem pretendo chegar perto com essa arte, mas a dica foi ótima.E assim como Caetano Veloso, estou com esta obra em progresso. Vou fazendo updates aqui. É verdade: prometi as mp3s... E elas virão. Só não vale rir se não gostar! :-)

Abraços

Claudio


PS: Update - confira ainda hoje uma das demos aqui: "Only You Can Save The World":

http://www.sendspace.com/file/vpss8v

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

How Rock & Roll saved my life :-)




COMO O ROCK PODE MUDAR SUA VIDA - parte 76357...


Parece um clichê daqueles, não é verdade? Mas o Rock & Roll (sim, como R maiúsculo) é capaz de mudar a vida de uma pessoa. Principalmente em uma fase crítica, que é da passagem do período adolescente para o adulto. Mas antes vamos a um breve flashback.

A primeira "manifestação Rock & Roll" que causou impacto no meu dia-a-dia aconteceu em janeiro de 1985. Não por coincidência, por conta do Rock In Rio - o primeirão!

De fato, a apresentação do Queen em 1981, em São Paulo, havia marcado bastante. Mas eu nem tinha 10 anos. No Rock In Rio, não. Eu já tinha quase 13. E isso faz diferença. Sem falar que 1985 foi uma espécie de consolidação do chamado "Rock Br", com Titãs, Paralamas, Barão, Ira!, Blitz, Capital Inicial, Ultrage A Rigor e outros que seguiriam o impulso, como Legião Urbana e Engenheiros do Hawaii...
Meu primeiro LP com temáticas roqueiras foi "Please Please Me", dos Beatles. E isso pouco antes de 1981. Influenciou. Até hoje.
Acelere até o ano de 1990. Foi quando fiz minha primeira viagem sozinho. Tinha acabado de completar 18 anos, e a ocasião era espacial: Paul McCartney - o primeiro show de um Beatle no Brasil! A partir desse ano, arrumei também meu primeiro emprego, em uma loja de instrumentos musicais. Foi lá que aprendi a tocar um pouco de contrabaixo. Antes mesmo da guitarra. Ah, a guitarra!

Falo de um trauma... no final daquele chuvoso 1990, eu perdi a convivência com uma importante pessoa em minha vida. Argh! Mas faz parte do destino de todos. De qualquer maneira, eu decidi que iria aprender a tocar violão e guitarra. Comecei sozinho, peguei dicas com meu pai e amigos. Putz! Tava feito. Fiquei viciado. Já era 1991. Ano Rock & Roll daqueles!


Você deve lembrar que este ano marcou o estouro de grupos como Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Alice Chains... Todos de Seattle. Era o apelidado "Rock Grunge". Mas era bem mais além disso. O Rock & Roll estava de volta à moda. Na cola de Seattle, as ótimas fases de U2 ("Achtung Baby!"), Red Hot Chili Peppers ("Blood Sugar Sex Magik") Guns 'n' Roses (os duplos "Use Your Illusion"), Metallica (álbum preto) e muitos mais.



Era incrível... lembro de assistir mais tarde o Nirvana no Hollywood Rock, e depois com a morte trágica de Cobain, isso ficaria marcado como um evento da história. Ainda que negativo.

Mas o início da década foi Rock & Roll demais... Lembro que organizamos no SAA uma peça chamada "O teatro através dos tempos", que tentava resumir a literatura brasileira por meio de atos. Sim, isso é dramaturgia. Mas não, não era dramaturgia! Eram textos performáticos com trilhas montadas pela gente, baseadas em coisas dos Beatles e do The Doors. Aliás, The Doors que tinha voltado em cena com o filme de Oliver Stone. Caramba, esse filme marcou e me fez estudar a poesia de Jim Morrison a fundo.

Ah, tudo isso com cobertura da MTV (quando era uma emissora roqueira também). Então, minha vida naquele momento era quase 100% Rock & Roll. O cabelo comprido estava de volta à moda, e atitude também.

Sem falar que no ano seguinte a garotada pintou o rosto e saiu para protestar contra o governo Collor e tudo mais http://pt.wikipedia.org/wiki/Cara-pintadas. Atitude Rock & Roll em falta hoje. Aliás, tá tudo muito parado!


Time to move on...
and rock on

love and light
Claudio