sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um sonho em baixa gravidade

Mais ou menos a visão do produtor do control room do estúdio


Sonhos... É bom sonhar. Melhor ainda é poder comentar sobre eles quando acontecem. Ao menos, parcialmente, já que falta muita estrada ainda! Falo sobre a minha primeira sessão de gravações no estúdio Kalimba, na zona norte de São Paulo. Eu tenho feito músicas desde os anos 90, mas nunca tinha pensado em gravar profissionalmente. Finalmente chegou o dia. Ou melhor: a noite. Ou melhor ainda: a madrugada. Foram mais de seis horas de trabalho. Primeiro, para marcar os tempos de cada faixa com precisão, usando o metrônomo eletrônico. Uma tarefa nada simples, porque quando se sai ligeiramente do andamento, tem de voltar a gravação e recomeçar de ontem parou. Levamos mais ou menos duas horas para 11 faixas. Eu e meu produtor, Cris Rodrigues (site www.crisrodrigues.com.br), nos alternando no violão. Incrível o Cris... passei os acordes e a levada das canções e ele aprendeu rápido e deu dicas excelentes para esta primeira etapa.

A Ceia

Com os metrônomos marcados e bases gravadas para 2 músicas, demos uma parada lá pelas 11h da noite para o rango... uma pizza paulistana para encher o tanque e continuar o trabalho. O Cris resolveu inovar e fazer um coquetel mix de cerveja com Coca-Cola Zero. Ele ofereceu pra eu experimentar, mas...eu passei desta vez. Afinal, eu tinha alguns vocais para gravar e não estava a fim de me transformar em uma bomba relógio ambulante (...).

Overdubs dos vocais

A parte mais divertida da sessão foi colocar os vocais e brincar com os efeitos. Em uma das músicas, o Cris tirou um dos acordes, dobrou minha voz e pediu para eu fazer um vocal sinistro e seco para terminar de forma diferente. Para esta música, eu resolvi fazer uma voz mais soturna, e me veio à cabeça “The Fly” do U2, então a inspiração foi das boas. Vou manter o suspense sobre os nomes de cada faixa para quando estiver pronto ser mais bacana, mas só como pista, este meu primeiro filhote fala da morte de uma namorada de um superser dos quadrinhos...



The Fly - clipe bacana do U2


Chuva em janeiro de 2007 - encontrei na internet uma da época em que fiz uma das músicas

A segunda (na verdade, a primeira que gravamos), é um rock mais direto, rápido, que eu compus em 2007 e terminei este ano. Deixamos dois compassos sem melodia para fazer o instrumental, e acho que vou fazer dois solos: o primeiro, com som de órgão (que será “mexido” para dar outra sonoridade). O final da letra fala sobre uma explosão, e como termina bem seca, vou jogar um outro efeito ai para simular o estouro ;-D. Por fim, uma balada que soa meio gospel, meio country, que vou adicionar na última fase o piano elétrico. Ela fala de chuva, então quero deixar nela uma sensação de umidade natural. Não entendeu? Mas quando estiver pronta, você vai.

Próxima fase

Nem dá para descrever a sensação de ver o piloto das músicas prontas, mas acho que é possível ter uma idéia do feeling. Na próxima etapa, que deve ser depois do Carnaval, vamos fazer mais 8 bases, desta vez com mais um guitarrista. Será preciso, para agilizar o processo, já que se trabalha por hora. No mesmo dia, o projeto é colocar bateria e contrabaixo. Devo tocar contrabaixo em algumas faixas, e a bateria ficará por conta do Cris, que é um multinstrumentista muito bom.


A idéia é reservar os próximos dias para overdubs vocais (vou substituir os originais das bases) e adicionar mais instrumentos, como teclados e guitarra. Na parte final, mixagem. Vai ser divertido. No final da madrugada, meu filho, Lucas e minha mulher, Cristiane apareceram lá e tiraram fotos de algumas passagens vocais. Prometo postar aqui quando o Cris enviar o material para mim (ele emprestou a máquina, então está com ele ainda).

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Crepúsculo e tempestade

Orange Twilight




Setting the storm

Para quebrar a linha do blog, algumas fotos feitas do apartamento no início de janeiro (zona norte de São Paulo)












quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O Estado Interior - nova entrada


NO HORIZONTE

Por você e pelo ciclo das coisas
Eu falaria tudo outra vez
E ainda...sem meus óculos escuros

Eu passaria o tempo
Vendo o nascer das estrelas
Na face de um desenho

Eu me lembro
Quando descobri que não existia mesmo qualquer tempo

O tempo não importa.

Nem a distância entre os nossos horizontes.


Eu <------------------------------------------------------> Você


Entre nós


Esse espaço todo é uma abertura para o sol ou para a lua

A luz que ainda vai entrar

Não importa quando

Nem se for o fim que chegar antes do começo

É que nunca se viveu tanto em tão pouco

E por causa disso

Nunca irá morrer...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Feliz Música Nova


Capa do 1º EP da banda Travis, antes conhecida como "Glass Onion"

Havia algumas semanas que eu não retomava o "815", mas a desculpa é boa e das mais usadas no final do ano: festas, a famosa "correria", e claro: idéias a serem recicladas.

Na parte criativa, algumas músicas foram geradas nesse meio tempo: "On", "Off", "The Night Gwen Died", "Seattle" (só a letra por enquanto), "Like The Weather", "Glowing Days" e "Amber Baby". Outros títulos batem à porta, e as idéias por trás delas são boas. Vamos ver: "Running Backwards", "Volunteers, Dragged", "FYI"... são muitos. A idéia é gravar o mais breve possível e colocar as primeiras em um site no myspace. Vai ser divertido...

Embora eu já tenha selecionado as 11 ou 12 que devem entrar no hospital para o parto, estudo substituir ao menos três para algumas das supracitadas. Principalmente "On" e "Off" que iniciariam e fechariam a bolacha (leiam CD, disco etc). O tempo total do disco não deve passar de 36 minutos. Tudo rápido e objetivo :-). Outra novidade é que a bateria ficará por conta de um dos maiores nomes do gênero aqui no Brasil: Alaor Neves. Ele fez questão de tocar em todas as faixas. Grande amigo. Confira a escola de música dele: www.comonline.com.br .

Na minha próxima passagem eu queria falar sobre as primeiras gravações de grupos interessantes como R.E.M, Paul McCartney (solo), Coldplay, Travis, Radiohead, U2 e outros. Legal falar sobre os dias de estréia e traçar um paralelo com o momento atual. Estou fazendo anotações...

xo

sábado, 13 de dezembro de 2008

Mallu Magalhães: It's only Folk 'n' Roll and I like it





E o tema de hoje é uma artista brasileira que canta em inglês e compõe de forma incrível. Trata maravilhosamente bem os fãs e ainda respeita os jornalistas como poucos. Ela acabou de lançar seu primeiro álbum, tem 16 anos, mas a idade é o que menos importa quando o trabalho é interessante e competente. Vale uma resenha a mais aqui.


Sei que por Mallu Magalhães estar bastante na mídia, se transforma em um caso de paixão ou aversão. Sua pouca idade faz com que as pessoas sintam-se acanhadas em admitir que curtam sua música. De qualquer forma, o espírito meio que libertário e descontraído do comportamento da artista não faça com que isso pese na reta final. O jornalista Lúcio Ribeiro foi um dos primeiros a notar que ela iria vingar e ele estava certo. Vamos falar de música.



"MALLU MAGALHÃES"




Me causa um pouco de embaraço ler e ouvir a respeito de rótulos impostos a artistas, as fofocas sobre relacionamentos e outros itens que giram em torno do universo de quem canta e atua. De qualquer forma, faz parte da fama. E não é diferente no caso de Mallu Magalhães. Já li 4 mil coisas semelhantes sobre ela, mas pouco, muito pouco a respeito dos mistérios de uma garota de 16 anos que se comporta no palco como se tivesse experiência de anos e anos na estrada. Talvez essa estrada seja a mítica Highway 61 onde passaram lendas como Robert Johnson... a mesma estrada cantada de forma ardida e irreverente por Bob Dylan. Alguns dizem que ela canta um inglês falível. Mas até aí, lordy, até mesmo quem nasceu num lugar onde se fala o idioma existem erros inimagináveis em letras e tudo... O fato é que isso não importa tanto quanto o contexto geral.


No momento, Mallu é a única artista nacional que inova. Ela se baseia em clássicos como Johnny Cash, Bob Dylan, cita Beatles (e junta músicas do grupo em seus shows) e outros pesos pesados. Mas fica por aí. O som acústico misturado ao elétrico, a urgência de seus vocais e o estilo das composições assombram. Ela faz questão de tocar ao vivo sem nenhum recurso de playback, o que impressiona, já que muitos nomes internacionais só cantam no karaokê e ainda, assim, faturam inimaginavelmente mais. Dinheiro? Mallu quer saber de música. Por isso dá e dará certo. Sem falar que ela tem uma excelente banda, maravilhosa equipe de produção e assessoria e um planejamento que certamente irá garantir que ela não seja mais uma cantora de um disco só. Ou apenas um CD. Sei lá qual é o melhor (pior) termo.


Mas vamos falar um pouco do álbum...



Difícil escolher canções favoritas de seu debut homônimo, mas é preciso citar aqui as indispensáveis: "You Know You've Got", "Angelina, Angelina", "Get To Denmark", "Town Of Rock 'n' Roll", "Her Day Will Come", "O Preço da Flor", "Vanguart" e "It Takes To The Tango". Excluo dessa lista top "Tchubaruba" e "J1" porque são os singles. E os singles geralmente puxam o disco, são boas músicas. Mas não são as melhores. São apenas os líderes. E são importantes por isso.


Gosto sempre de levantar a bola de "Angelina, Angelina", porque é uma coisa visceral. É muito difícil compor um rock. Ainda mais algo bem original e diferente. Mallu me contou em entrevista que a letra fala de uma de suas mochilas favoritas. Ela compõe sobre termos abstratos como se fossem para humanos, e isso é muito bacana.




Foto: João Wainer




"Get To Denmark" é uma balada com harmonia tocante. Ela cita algo que não é tão comum para garotos. Ao menos do século 21: "os cavaleiros que dizem ni". É um termo usado no filme "Monty Python e o Cálice Sagrado". Uma referência sutil e corajosa, porque por Mallu, não tendo nem 18 anos, se refere a uma cultura distante de sua época. Na letra de "Get To Denmark" caiu bem demais.


"You Know You've Got" impressiona pelo seu arranjo diferente, esparso... cortesia de Mário Caldato, o produtor. Ela tem algumas variações de andamento que empolgam e Mallu e sua banda se esforçam bastante para reproduzir ao vivo como no álbum. Mas no CD é bom demais ouvir o som dos instrumentos mixados de uma forma diferente do que se ouve hoje em dia na maioria dos trabalhos.




A CIDADE DO ROCK






"Town Of Rock 'n' Roll" é uma das mais divertidas. Ela nos apresenta ao termo "Folk 'n' Roll", um dos favoritos da compositora. Mistura uma linguagem mais sátira e abstrata quando fala de um lugar que seria a capital do rock. E não, não é Jacarepaguá... Talvez todás as pessoas que curtam rock e seus derivados tenham pensado nisso. Mas falar sobre o termo é difícil sem exagerar e forçar a barra. Em "Town Of Rock 'n' Roll" dá para gostar das terminologias roqueiras sem cair no exagero.



"Her Day Will Come" é um delicioso jazz-rock que fala sobre a própria artista. Aliás, várias letras na terceira pessoa são comentários sobre sua própria vida, e agora que chegam ao ouvido do público ganham peso. Um certo peso, porque ela irá terá (se quiser) de manter o ritmo. Cumprir a profecia. O dia dela irá chegar, e chega aos poucos. Ao vivo, a música foi misturada a "Your Mother Should Know", dos Beatles, e ficou bacana.


Agora, duas faixas compostas em português. "O Preço da Flor" é etérea, contemplativa. Surreal. Um eco hipnótico. A produção e mixagem aqui são incríveis. O som do violão de 12 cordas é o predominante. Os vocais meio fantasmagóricos de Mallu comprovam sua versatilidade. Não existe preocupação com um padrão. O ritmo em valsa deixa a canção ainda mais viajante. Parece um fado do século 21, só que melhor. Ao vivo ficou muito bom, mas no CD é imbatível. Já "Vanguart" - evidentemente uma citação à banda indie nacional - é uma das mais pops. Letra enigmática. Lembra um pouco Mutantes e Pato Fu. A produção aqui dá show novamente. As harmonias e percussão se fundem de uma forma inusitada, perceba no fone de ouvido. Para fechar, o coda tem um piano que lembra um pouco os interlúdios musicais de "Strawberry Fields Forever". Em sua última encarnação ao vivo, ela ganhou um peso sensacional. Funciona, porque eles não tentam reproduzir o som mais concentrado e detalhado do álbum.




"It Takes Two To Tango". Uau. Aqui Mallu incorpora mesmo seu ídolo Bob Dylan, só que na versão MM. Apenas voz e violão, em uma performance dramática. Lembra coisas do álbum "Freewheelin'", o segundo do sr. Robert Zimmerman. Performance vocal diferente de quase tudo no álbum, além de um desempenho fantástico na guitarra acústica. Fecha o CD como se fecha a porta de casa. Tipo: "Agora que cantei quero minha privacidade.


Ela tem direito.





Abraços e até a próxima





P.S: Antes do Natal quero falar de "Electric Arguments" do nosso amigo Paul McCartney. Não apenas um álbum novo, mas um refresco no deserto e uma esperança de mais coisas criativas do gênio.