quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Feliz Música Nova


Capa do 1º EP da banda Travis, antes conhecida como "Glass Onion"

Havia algumas semanas que eu não retomava o "815", mas a desculpa é boa e das mais usadas no final do ano: festas, a famosa "correria", e claro: idéias a serem recicladas.

Na parte criativa, algumas músicas foram geradas nesse meio tempo: "On", "Off", "The Night Gwen Died", "Seattle" (só a letra por enquanto), "Like The Weather", "Glowing Days" e "Amber Baby". Outros títulos batem à porta, e as idéias por trás delas são boas. Vamos ver: "Running Backwards", "Volunteers, Dragged", "FYI"... são muitos. A idéia é gravar o mais breve possível e colocar as primeiras em um site no myspace. Vai ser divertido...

Embora eu já tenha selecionado as 11 ou 12 que devem entrar no hospital para o parto, estudo substituir ao menos três para algumas das supracitadas. Principalmente "On" e "Off" que iniciariam e fechariam a bolacha (leiam CD, disco etc). O tempo total do disco não deve passar de 36 minutos. Tudo rápido e objetivo :-). Outra novidade é que a bateria ficará por conta de um dos maiores nomes do gênero aqui no Brasil: Alaor Neves. Ele fez questão de tocar em todas as faixas. Grande amigo. Confira a escola de música dele: www.comonline.com.br .

Na minha próxima passagem eu queria falar sobre as primeiras gravações de grupos interessantes como R.E.M, Paul McCartney (solo), Coldplay, Travis, Radiohead, U2 e outros. Legal falar sobre os dias de estréia e traçar um paralelo com o momento atual. Estou fazendo anotações...

xo

sábado, 13 de dezembro de 2008

Mallu Magalhães: It's only Folk 'n' Roll and I like it





E o tema de hoje é uma artista brasileira que canta em inglês e compõe de forma incrível. Trata maravilhosamente bem os fãs e ainda respeita os jornalistas como poucos. Ela acabou de lançar seu primeiro álbum, tem 16 anos, mas a idade é o que menos importa quando o trabalho é interessante e competente. Vale uma resenha a mais aqui.


Sei que por Mallu Magalhães estar bastante na mídia, se transforma em um caso de paixão ou aversão. Sua pouca idade faz com que as pessoas sintam-se acanhadas em admitir que curtam sua música. De qualquer forma, o espírito meio que libertário e descontraído do comportamento da artista não faça com que isso pese na reta final. O jornalista Lúcio Ribeiro foi um dos primeiros a notar que ela iria vingar e ele estava certo. Vamos falar de música.



"MALLU MAGALHÃES"




Me causa um pouco de embaraço ler e ouvir a respeito de rótulos impostos a artistas, as fofocas sobre relacionamentos e outros itens que giram em torno do universo de quem canta e atua. De qualquer forma, faz parte da fama. E não é diferente no caso de Mallu Magalhães. Já li 4 mil coisas semelhantes sobre ela, mas pouco, muito pouco a respeito dos mistérios de uma garota de 16 anos que se comporta no palco como se tivesse experiência de anos e anos na estrada. Talvez essa estrada seja a mítica Highway 61 onde passaram lendas como Robert Johnson... a mesma estrada cantada de forma ardida e irreverente por Bob Dylan. Alguns dizem que ela canta um inglês falível. Mas até aí, lordy, até mesmo quem nasceu num lugar onde se fala o idioma existem erros inimagináveis em letras e tudo... O fato é que isso não importa tanto quanto o contexto geral.


No momento, Mallu é a única artista nacional que inova. Ela se baseia em clássicos como Johnny Cash, Bob Dylan, cita Beatles (e junta músicas do grupo em seus shows) e outros pesos pesados. Mas fica por aí. O som acústico misturado ao elétrico, a urgência de seus vocais e o estilo das composições assombram. Ela faz questão de tocar ao vivo sem nenhum recurso de playback, o que impressiona, já que muitos nomes internacionais só cantam no karaokê e ainda, assim, faturam inimaginavelmente mais. Dinheiro? Mallu quer saber de música. Por isso dá e dará certo. Sem falar que ela tem uma excelente banda, maravilhosa equipe de produção e assessoria e um planejamento que certamente irá garantir que ela não seja mais uma cantora de um disco só. Ou apenas um CD. Sei lá qual é o melhor (pior) termo.


Mas vamos falar um pouco do álbum...



Difícil escolher canções favoritas de seu debut homônimo, mas é preciso citar aqui as indispensáveis: "You Know You've Got", "Angelina, Angelina", "Get To Denmark", "Town Of Rock 'n' Roll", "Her Day Will Come", "O Preço da Flor", "Vanguart" e "It Takes To The Tango". Excluo dessa lista top "Tchubaruba" e "J1" porque são os singles. E os singles geralmente puxam o disco, são boas músicas. Mas não são as melhores. São apenas os líderes. E são importantes por isso.


Gosto sempre de levantar a bola de "Angelina, Angelina", porque é uma coisa visceral. É muito difícil compor um rock. Ainda mais algo bem original e diferente. Mallu me contou em entrevista que a letra fala de uma de suas mochilas favoritas. Ela compõe sobre termos abstratos como se fossem para humanos, e isso é muito bacana.




Foto: João Wainer




"Get To Denmark" é uma balada com harmonia tocante. Ela cita algo que não é tão comum para garotos. Ao menos do século 21: "os cavaleiros que dizem ni". É um termo usado no filme "Monty Python e o Cálice Sagrado". Uma referência sutil e corajosa, porque por Mallu, não tendo nem 18 anos, se refere a uma cultura distante de sua época. Na letra de "Get To Denmark" caiu bem demais.


"You Know You've Got" impressiona pelo seu arranjo diferente, esparso... cortesia de Mário Caldato, o produtor. Ela tem algumas variações de andamento que empolgam e Mallu e sua banda se esforçam bastante para reproduzir ao vivo como no álbum. Mas no CD é bom demais ouvir o som dos instrumentos mixados de uma forma diferente do que se ouve hoje em dia na maioria dos trabalhos.




A CIDADE DO ROCK






"Town Of Rock 'n' Roll" é uma das mais divertidas. Ela nos apresenta ao termo "Folk 'n' Roll", um dos favoritos da compositora. Mistura uma linguagem mais sátira e abstrata quando fala de um lugar que seria a capital do rock. E não, não é Jacarepaguá... Talvez todás as pessoas que curtam rock e seus derivados tenham pensado nisso. Mas falar sobre o termo é difícil sem exagerar e forçar a barra. Em "Town Of Rock 'n' Roll" dá para gostar das terminologias roqueiras sem cair no exagero.



"Her Day Will Come" é um delicioso jazz-rock que fala sobre a própria artista. Aliás, várias letras na terceira pessoa são comentários sobre sua própria vida, e agora que chegam ao ouvido do público ganham peso. Um certo peso, porque ela irá terá (se quiser) de manter o ritmo. Cumprir a profecia. O dia dela irá chegar, e chega aos poucos. Ao vivo, a música foi misturada a "Your Mother Should Know", dos Beatles, e ficou bacana.


Agora, duas faixas compostas em português. "O Preço da Flor" é etérea, contemplativa. Surreal. Um eco hipnótico. A produção e mixagem aqui são incríveis. O som do violão de 12 cordas é o predominante. Os vocais meio fantasmagóricos de Mallu comprovam sua versatilidade. Não existe preocupação com um padrão. O ritmo em valsa deixa a canção ainda mais viajante. Parece um fado do século 21, só que melhor. Ao vivo ficou muito bom, mas no CD é imbatível. Já "Vanguart" - evidentemente uma citação à banda indie nacional - é uma das mais pops. Letra enigmática. Lembra um pouco Mutantes e Pato Fu. A produção aqui dá show novamente. As harmonias e percussão se fundem de uma forma inusitada, perceba no fone de ouvido. Para fechar, o coda tem um piano que lembra um pouco os interlúdios musicais de "Strawberry Fields Forever". Em sua última encarnação ao vivo, ela ganhou um peso sensacional. Funciona, porque eles não tentam reproduzir o som mais concentrado e detalhado do álbum.




"It Takes Two To Tango". Uau. Aqui Mallu incorpora mesmo seu ídolo Bob Dylan, só que na versão MM. Apenas voz e violão, em uma performance dramática. Lembra coisas do álbum "Freewheelin'", o segundo do sr. Robert Zimmerman. Performance vocal diferente de quase tudo no álbum, além de um desempenho fantástico na guitarra acústica. Fecha o CD como se fecha a porta de casa. Tipo: "Agora que cantei quero minha privacidade.


Ela tem direito.





Abraços e até a próxima





P.S: Antes do Natal quero falar de "Electric Arguments" do nosso amigo Paul McCartney. Não apenas um álbum novo, mas um refresco no deserto e uma esperança de mais coisas criativas do gênio.



domingo, 30 de novembro de 2008

Estado Interior...

Deu vontade de relembrar as postagens de "O Estado Interior". Acabei de escrever.




Uma Canção Folk

Peça ao tempo para ele esperar
Não deixe ele ficar solto por aí
Vamos escrever uma carta de amor
Eu e você
E depois atirá-la às chamas
Vamos escrever aquela canção folk
Não ligue para o que for dito, deixe que o mundo se toque
Vamos dormir com a janela aberta para ouvir a cidade e o rock

O concreto e o aço, o cristal e o vinho
Mas isso só depois que você herdar o trono
Deus é nosso vizinho
Agora é a hora

Eu te encontrei
E aqui dentro você vai morar

terça-feira, 18 de novembro de 2008

De volta ao "subterrâneo"




The Mill Studios, Sussex

SEGREDOS DAS MÚSICAS...

Após uma semana mais frenética que a crise financeira global (mudança de horário radical, trabalhos etc), volto aqui falar do que as pessoas gostam de ouvir, mas nem sempre de ler sobre: música!. Eu sei que meu público é restrito, mas faço questão de deixar registrado o passo-a-passo do que se tornará em breve a minha primeira aventura no mundo das gravações: "Songs From The Underground". Só para recapitular, "As Canções do Metrô" são chamadas assim simplesmente porque escrevi muitas delas em viagens pelo subterrâneo da capital paulista. Assim, hoje eu gostaria de comentar sobre algumas das próximas faixas que irei ensaiar este final de semana. A seguir:

IN THOSE SMALL HOURS OF TUESDAY: Sempre gostei de bossa-nova mas, para ser sincero, minha preferência pelo estilo cresceu quando ouvi Sting, Paul McCartney e outros artistas cantando músicas que misturam o pop com o jazz e o tema brasileiro nascido nos anos 50. Canções como "In The Moonlight", cantada por Sting e composta por John Williams para o remake de "Sabrina" (1995), e "Heaven On The Sunday, assinada por McCartney (Flaming Pie, 1997) funcionaram como inspiração. Aliás, a bossa-jazz ganhou corpo com o lançamento "Till There Was You", não por acaso gravada pelos Beatles em "With The Beatles" (1963). A composição, a propósito, é de autoria de Meredith Wilson (1957) e usada no musical "The Music Man". Todo esse caleidoscópio musical me influenciou para definir "In Those Small Hours Of Tuesday", que espero gravar em breve com um clima que irá misturar os anos 50 com um estilo mais pós-moderno :-).






CRESCENT MOON: Você acredita em bruxas? Ou fantasmas? Bem, eu não. Mas que eles existem... Na verdade, usei essa brincadeira como gancho para definir "Crescent Moon": um folk com sabor celta, escrito às véspera do "Dia das Bruxas" e dedicada às bruxas nacionais e internacionais... O símbolo da lua é forte, e muito invocado pelos que acreditam na força mística. No campo das inspirações: Van Morrison, música folk irlandesa etc.




Van Morrison


NO SUMMER RAIN: Rock mais direto. Eu gosto das músicas rápidas, mas é muito difícil compor um rock de qualidade, sem cair no lugar comum. O que achei mais interessante é que usei apenas 2 acordes em uma música que dura quase 5 minutos. Aumentou a dificuldade, mas gostei do resultado. Inspiração: "pessoas que acreditam apenas que você é como uma chuva de verão, sem poder, sem reação". Engano... A letra foi composta em 2007, no começo do ano, e o estilo pode ser um pouco de Duran Duran (pelo menos, no meu ouvido), mas sem o clima dançante.

And that's all folks... for now
Claudio

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Herança de Martin Luther King




"It’s a beautiful day”


A frase não só lembra, como é parte do primeiro single do U2 que promoveu o bem-sucedido “All That You Can’t Leave Behind”, LP lançado em 31 de outubro de 2000.

Mas o assunto do dia, do ano, e talvez, pelo menos, do início deste século, só poderia ser Barack Hussein Obama II – o primeiro líder afro-norte-americano a assumir a Casa Branca daqui a alguns dias, em 20 de janeiro de 2009.

Não dá para deixar de citar Martin Luther King, que em seu discurso afirmou que sonhava com a igualdade entre credos e raças. Pois se esse feito talvez seja ainda utópico, somente o fato histórico de podermos contemplar um representante da raça negra no cargo político mais importante do planeta, já se pode dizer que o revendo King, morto em abril de 1968, teve sua morte vingada.

Há quarenta anos ou menos, um homem negro não podia sequer olhar nos olhos de um branco em certas partes dos EUA e do resto do planeta. Agora um homem negro não só olha diretamente nos olhos de milhões de cidadãos de diversas cores e raças, como tem o poder de decidir sobre seus futuros e de muitos mais.

A felicidade de poder anunciar sua vitória no dia de hoje no jornal diário que trabalho na Alpha FM foi gratificante. Não que Obama seja o Messias e tenha em suas mangas as respostas para a crise global, os problemas no Iraque e Afeganistão e a solução para acabar com aversão do mundo à política norte-americana, que por 8 longos anos foi pontuada pela espada – ou pior – pela chacina de inocentes em diversos pontos do globo, com destaque para a morte de civis no Iraque e Afeganistão. Não: não existe justificativa para 6 anos de sangria, nem mesmo o 11 de setembro em Nova York.

MILAGRES

Agora, com Barack Obama no Salão Oval da Casa Branca e a maioria Democrata no congresso dos EUA, o que se espera do novo governo é uma mudança de atitude. Não apenas em medidas efetivas para diminuir o desemprego interno e seus reflexos pelo mundo. Não existem milagres: Obama tratará de uma doença quase terminal que só tera cura se o país se unir em torno de um objetivo comum.

Minha esperança em relação aos Estados Unidos é que esta maravilhosa nação perca o ranço de séculos e séculos, motivada por sua superioridade nos campos de batalha e nos setores econômicos que por anos e anos segregaram o país das demais. Uma espécie de impáfia que só provocou ainda mais ódio do mundo frente às políticas capitalistas e até fascistas (ainda que veladas) que afastaram os EUA da humanidade no contexto social e histórico. Agora que o calcanhar de Aquiles ficou exposto, o que se espera de Obama é que ele possa liderar seu povo, seja democrata ou republicano, ou mesmo independente, para uma re-humanização e um resgate de sua alma. A alma que o país perdeu quando afirmou ser intocável com um “deus em um Olimpo, acima de tudo e de todos”.



Mas, como o próprio senador Barack Obama prometeu em seu discurso de vitória, em Chicago, “A mudança chegou”... E com a trilha sonora do U2 ao fundo, o desejo é de que esse esperado “Beautiful Day” saia cada vez mais da letra composta por Bono e se transforme em uma realidade para América e todo o mundo. Sim, “we can change”... Esperamos que a profecia se confirme a partir de agora. Sem ilusões, mas sempre com fé no poder de realização do homem.

Claudio